Roda
A Vrijthof, a principal ou, pelo menos, uma das mais conhecidas praças de Maastricht e onde é agradável gastar um pouco do nosso tempo, está agora repleta com uma espécie de feira de Natal. Tem muitas animações para os mais pequenos, desde carrocéis a escorregas, tem uma pista de gelo para patinar nela quem quiser, e uma roda gigante, que se vê bem ao longe, que proporciona umas voltinhas como se andássemos no aro de uma bicicleta!
Por três euros é-nos dada essa possibilidade. Entra-se no cesto que roda sobre si mesmo e suporta, ainda assim, seis pessoas. Entretanto sente-se uma deslocação e o chão começa a ficar para trás, mais pequeno e adquire-se uma visão de pássaro, lá das alturas. Chegados finalmente a uma altitude de 50 metros atinge-se o auge, o ponto máximo, a partir do qual se passa da ascensão para a queda… suave!
É realmente interessante observar as coisas sobre diferentes pontos de vista. Adquire-se uma percepção bastante diferente, por vezes até difícil de aceitar, de coisas que pensamos que conhecemos tão bem. E tudo parece diferente, incrivelmente diferente e impressionante, da pequenês do que se vê do alto da roda sobressai a grandiosidade da paisagem que dali se vislumbra.
Até que a roda finalmente pára e descemos à terra… e a vida continua!
domingo, novembro 30, 2003
sábado, novembro 29, 2003
Ténis
Ao contrário do que alguns possam pensar, não é sobre calçado que vou falar, não; se assim o quisesse teria posto como título: Sapatilhas! É sobre o desporto por todos conhecido, por apenas alguns praticado.
Apesar de haver aqui um court, os fins-de-semana têm estado todos ocupados com passeata e quando houve oportunidade, não me foi possível, por motivos pessoais, ou inter-pessoais!
Finalmente hoje, de manhã, com um sol radioso e um céu azul límpido e uma brisa ligeiramente fria, estava uma boa envolvente para o jogo de experiência, por quem tem falta dela.
O sol, ao contrário dos jogos à tarde, não impedia que um dos jogadores visse o que estava a fazer, pois estava de lado para o court, se é que se pode dizer que o sol é que está de lado para alguma coisa, visto que está assim passivamente.
De qualquer modo, depois de um aquecimento dos músculos e do corpo, que estava sol, mas não estava calor, lá se começa a mandar a bola de um lado para o outro da rede. E vamos começando a apanhar o jeito… e as bolas do chão!
No fim a vontade é de ficar lá mais tempo do que o que reservámos. Parece que ficou o bichinho deste desporto, apesar da inexperiência e falta de jeito.
Ao contrário do que alguns possam pensar, não é sobre calçado que vou falar, não; se assim o quisesse teria posto como título: Sapatilhas! É sobre o desporto por todos conhecido, por apenas alguns praticado.
Apesar de haver aqui um court, os fins-de-semana têm estado todos ocupados com passeata e quando houve oportunidade, não me foi possível, por motivos pessoais, ou inter-pessoais!
Finalmente hoje, de manhã, com um sol radioso e um céu azul límpido e uma brisa ligeiramente fria, estava uma boa envolvente para o jogo de experiência, por quem tem falta dela.
O sol, ao contrário dos jogos à tarde, não impedia que um dos jogadores visse o que estava a fazer, pois estava de lado para o court, se é que se pode dizer que o sol é que está de lado para alguma coisa, visto que está assim passivamente.
De qualquer modo, depois de um aquecimento dos músculos e do corpo, que estava sol, mas não estava calor, lá se começa a mandar a bola de um lado para o outro da rede. E vamos começando a apanhar o jeito… e as bolas do chão!
No fim a vontade é de ficar lá mais tempo do que o que reservámos. Parece que ficou o bichinho deste desporto, apesar da inexperiência e falta de jeito.
quinta-feira, novembro 27, 2003
Holandesas
Ontem, como combinado desde o Leilão lá para trás, preparámos um jantar para quatro holandesas que nos compraram no Leilão. Por nos terem comprado, ficaram imediatamente habilitadas ao dito jantar. Era só aparecerem!
A Tessel, a Saskia, a Nicole e uma amiga em substituição da Marjolein chegaram ao já reputado restaurante do P3-00, aquele que tem o número 6 na porta, e sorriram de nos ver e nós o mesmo fizemos: vimo-las e sorrimos. Já parecemos amigos de longa data… Às vezes começavam a falar holandês entre si, ao que respondíamos falando em diversos tipos de português, desde o brasileiro ao das Áfricas! E passou-se ali um serão agradável…
Agora estamos à espera que elas nos preparem o jantar, pois no leilão nós também as comprámos!…
Ontem, como combinado desde o Leilão lá para trás, preparámos um jantar para quatro holandesas que nos compraram no Leilão. Por nos terem comprado, ficaram imediatamente habilitadas ao dito jantar. Era só aparecerem!
A Tessel, a Saskia, a Nicole e uma amiga em substituição da Marjolein chegaram ao já reputado restaurante do P3-00, aquele que tem o número 6 na porta, e sorriram de nos ver e nós o mesmo fizemos: vimo-las e sorrimos. Já parecemos amigos de longa data… Às vezes começavam a falar holandês entre si, ao que respondíamos falando em diversos tipos de português, desde o brasileiro ao das Áfricas! E passou-se ali um serão agradável…
Agora estamos à espera que elas nos preparem o jantar, pois no leilão nós também as comprámos!…
quarta-feira, novembro 26, 2003
Locais secretos
Quem é que, pelo menos em infância, não teve aquele sítio especial para onde gostava de ir quando estava alegre ou triste ou pura e simplesmente para lá estar um pouco, como se de um refúgio se tratasse? O local mais banal que para nós se tornava único e especial…
Eu tive vários. O mais interessante dos quais à beira do rio que passa perto de minha casa, o Lis ainda jovem, em que eu e o meu primo Fernando descíamos a margem íngreme até à beira da água e seguíamos durante cerca de 100m à beirinha da água, sem saber a profundidade, mas adivinhando-a considerável, e passando por diversos obstáculos, desde troncos de árvores por cima dos quais tínhamos de passar sem cair para a água, zonas de lodo, escorregadias, uma parte com uma saliência de uns dez centímetros em que tínhamos de ir encostados à margem vertical de terra estilo Indiana Jones e, enfim, lá se chegava depois de tanto esforço a uma pequena clareira com um canavial tombado pelo vento de tal forma que parecia a concha da mão, uma espécie de abrigo, que nada tinha de especial, a não ser para nós. Então começámos a ir para lá todos os dias, levávamos uma manta, rádio a pilhas, baralho de cartas e muitas vezes o que fazíamos era estar ali, naquelas férias grandes dos tempos do ciclo, deitados de papo para o ar, apenas a apreciar o presente e a saborear a Natureza.
O tempo não existia para nós. Os dias eram infindáveis e em cada um uma miríade de pequenas coisas eram feitas com tanto entusiasmo que até contagiavam… naquele local nosso que era secreto nas nossas cabeças.
Quem é que, pelo menos em infância, não teve aquele sítio especial para onde gostava de ir quando estava alegre ou triste ou pura e simplesmente para lá estar um pouco, como se de um refúgio se tratasse? O local mais banal que para nós se tornava único e especial…
Eu tive vários. O mais interessante dos quais à beira do rio que passa perto de minha casa, o Lis ainda jovem, em que eu e o meu primo Fernando descíamos a margem íngreme até à beira da água e seguíamos durante cerca de 100m à beirinha da água, sem saber a profundidade, mas adivinhando-a considerável, e passando por diversos obstáculos, desde troncos de árvores por cima dos quais tínhamos de passar sem cair para a água, zonas de lodo, escorregadias, uma parte com uma saliência de uns dez centímetros em que tínhamos de ir encostados à margem vertical de terra estilo Indiana Jones e, enfim, lá se chegava depois de tanto esforço a uma pequena clareira com um canavial tombado pelo vento de tal forma que parecia a concha da mão, uma espécie de abrigo, que nada tinha de especial, a não ser para nós. Então começámos a ir para lá todos os dias, levávamos uma manta, rádio a pilhas, baralho de cartas e muitas vezes o que fazíamos era estar ali, naquelas férias grandes dos tempos do ciclo, deitados de papo para o ar, apenas a apreciar o presente e a saborear a Natureza.
O tempo não existia para nós. Os dias eram infindáveis e em cada um uma miríade de pequenas coisas eram feitas com tanto entusiasmo que até contagiavam… naquele local nosso que era secreto nas nossas cabeças.
domingo, novembro 23, 2003
Roterdão
A tão esperadamente diferente e moderna cidade holandesa acabou por se revelar um tanto ou quanto desapontante quando por lá passei, ontem.
Fui ver o que Roterdão tem de melhor, mas que não é o melhor para ver: o porto. É o porto que recebe mais petróleo em todo o mundo e tem instalações de reparação de petroleiros verdadeiramente impressionantes. A paisagem é composta por inúmeros contentores que dão um ar industrial àquela cidade.
Os tão anunciados prédios altos não surpreenderam, pois não eram maiores que a torre de Utrecht. Devia-me ter lembrado que os holandeses criaram uma lei a proibir construções mais altas que a torre de Utrecht. Para além disso, os holandeses atribuem o adjectivo altos a coisas que o são pouco!
E a modernidade daquela cidade era algo questionável, apesar de, ao deambular pelas ruas, parecer ser o paraíso dos arquitectos com construções pouco usuais, não apenas edifícios, mas também estátuas espalhadas amiúde pela rua.
Havia inclusive uma rua que era a rua dos famosos, como se vê nos filmes (quase todo o conhecimento que possuímos está nos filmes ou nos livros!). Então muitos rectângulos havia no chão aonde os famosos tinham posto as suas mãozinhas enquanto o cimento ainda se moldava, assinando depois aquelas marcas que apenas valem pela assinatura… e pouco!
A ponte, para mim, foi do que melhor se pôde ver em Roterdão. Símbolo da Maratona de Roterdão, como as pontes em quase todas as cidades, ela emana um certo carisma…
A tão esperadamente diferente e moderna cidade holandesa acabou por se revelar um tanto ou quanto desapontante quando por lá passei, ontem.
Fui ver o que Roterdão tem de melhor, mas que não é o melhor para ver: o porto. É o porto que recebe mais petróleo em todo o mundo e tem instalações de reparação de petroleiros verdadeiramente impressionantes. A paisagem é composta por inúmeros contentores que dão um ar industrial àquela cidade.
Os tão anunciados prédios altos não surpreenderam, pois não eram maiores que a torre de Utrecht. Devia-me ter lembrado que os holandeses criaram uma lei a proibir construções mais altas que a torre de Utrecht. Para além disso, os holandeses atribuem o adjectivo altos a coisas que o são pouco!
E a modernidade daquela cidade era algo questionável, apesar de, ao deambular pelas ruas, parecer ser o paraíso dos arquitectos com construções pouco usuais, não apenas edifícios, mas também estátuas espalhadas amiúde pela rua.
Havia inclusive uma rua que era a rua dos famosos, como se vê nos filmes (quase todo o conhecimento que possuímos está nos filmes ou nos livros!). Então muitos rectângulos havia no chão aonde os famosos tinham posto as suas mãozinhas enquanto o cimento ainda se moldava, assinando depois aquelas marcas que apenas valem pela assinatura… e pouco!
A ponte, para mim, foi do que melhor se pôde ver em Roterdão. Símbolo da Maratona de Roterdão, como as pontes em quase todas as cidades, ela emana um certo carisma…
quinta-feira, novembro 20, 2003
Futebóis
“Leiria deslumbra” é o título do artigo que faz cobertura do jogo entre Portugal e o Koweit, em que este último foi derrotado pelo outro, o primeiro, por oito golos sem resposta, no novo estádio José Magalhães Pessoa, em Leiria, publicado na página “Mais Euro 2004” do IOL. Fala-se do êxtase em que permaneceu o público, bastante, que assistiu a um jogo fácil. Houve inclusive fogo de artifício para marcar a estreia do estádio ainda por acabar, fazendo lembrar uma passagem de ano qualquer!…
Tudo isto é muito bonito, mas vazio. Como se espera que fiquem as bancadas após o Euro 2004 ou, como alguns já o chamam, o Erro 2004! Primeiro, o União de Leiria por muito grandioso que seja, e eu gosto de ver esta minha equipa ganhar, não move adeptos suficientes para garantir estádios cheios na temporada normal. Se antes o estádio estava quase sempre pouco menos de meio cheio, não vai ser agora que o duplicaram que vai ser mais fácil de vender os bilhetes para todas as cadeiras. Se calhar é a pensar nisso que as cadeiras estão pintadas de várias cores, sem padrão definido, de modo a que, nos ecrãs de televisão, pareça que está cheio quando está deserto!
Para além disso, o estádio não pertence ao clube que está mais habituado a utilizá-lo, mas à Câmara Municipal de Leiria, sendo depois arrendado ao clube que queira… ou possa. É claro que não é gratuita a manutenção de um estádio desta envergadura e só alguns clubes têm capacidade financeira para suportar essas despesas. O que não é o caso do União de Leiria. A S.A.D. do União ia-se dissolvendo com saídas de presidentes e ameaças várias. Até que, finalmente, aparece o inevitável: o União de Leiria declara não ser capaz de gerar recursos para pagar o arrendamento do estádio à Câmara. Coloca-se então a questão: se não é o União de Leiria, que apesar de não um clube muito grande é o maior que temos na região, que clube vai tomar o seu lugar e rentabilizar aquele estádio enorme?
Com esta questão sem resposta em mente surge a noção de custo de oportunidade. O que é que poderia ter sido feito com o dinheiro ali gasto? Bastantes despesas bem mais produtivas podiam ter sido consideradas, mas ninguém as viu ou quis ver. Será que é do fumo do fogo de artifício?
“Leiria deslumbra” é o título do artigo que faz cobertura do jogo entre Portugal e o Koweit, em que este último foi derrotado pelo outro, o primeiro, por oito golos sem resposta, no novo estádio José Magalhães Pessoa, em Leiria, publicado na página “Mais Euro 2004” do IOL. Fala-se do êxtase em que permaneceu o público, bastante, que assistiu a um jogo fácil. Houve inclusive fogo de artifício para marcar a estreia do estádio ainda por acabar, fazendo lembrar uma passagem de ano qualquer!…
Tudo isto é muito bonito, mas vazio. Como se espera que fiquem as bancadas após o Euro 2004 ou, como alguns já o chamam, o Erro 2004! Primeiro, o União de Leiria por muito grandioso que seja, e eu gosto de ver esta minha equipa ganhar, não move adeptos suficientes para garantir estádios cheios na temporada normal. Se antes o estádio estava quase sempre pouco menos de meio cheio, não vai ser agora que o duplicaram que vai ser mais fácil de vender os bilhetes para todas as cadeiras. Se calhar é a pensar nisso que as cadeiras estão pintadas de várias cores, sem padrão definido, de modo a que, nos ecrãs de televisão, pareça que está cheio quando está deserto!
Para além disso, o estádio não pertence ao clube que está mais habituado a utilizá-lo, mas à Câmara Municipal de Leiria, sendo depois arrendado ao clube que queira… ou possa. É claro que não é gratuita a manutenção de um estádio desta envergadura e só alguns clubes têm capacidade financeira para suportar essas despesas. O que não é o caso do União de Leiria. A S.A.D. do União ia-se dissolvendo com saídas de presidentes e ameaças várias. Até que, finalmente, aparece o inevitável: o União de Leiria declara não ser capaz de gerar recursos para pagar o arrendamento do estádio à Câmara. Coloca-se então a questão: se não é o União de Leiria, que apesar de não um clube muito grande é o maior que temos na região, que clube vai tomar o seu lugar e rentabilizar aquele estádio enorme?
Com esta questão sem resposta em mente surge a noção de custo de oportunidade. O que é que poderia ter sido feito com o dinheiro ali gasto? Bastantes despesas bem mais produtivas podiam ter sido consideradas, mas ninguém as viu ou quis ver. Será que é do fumo do fogo de artifício?
terça-feira, novembro 18, 2003
Vida
“ Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que eu ofereceria à Lua!
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida...não deixaria passar um só instante sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha. Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta...
Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer...”
“ Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria um bom gelado de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que eu ofereceria à Lua!
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida...não deixaria passar um só instante sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha. Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta...
Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer...”
Gabriel Garcia Marquez
Actualmente Gabriel Garcia Marquez encontra-se em fase terminal de cancro linfático.sexta-feira, novembro 14, 2003
Alerta
Ontem à noite, depois de ler as coisas para a aula de hoje, fui-me deitar, pois a aula iria ser às 8:30, para poder descansar em condições. Com as preocupações da vida o sono estava a demorar até que, finalmente, lá adormeci.
Mas eis que, subitamente, oiço o alarme de incêndio irritantemente alto e repetitivo. Uma sirene a que se seguia uma voz forte em várias línguas incitando o uso das portas de emergência. O Nuno foi à porta, espreitou para o corredor e apenas viu outras pessoas a fazer o mesmo, a espreitar, e nenhuma razão havia aparentemente para preocupação. Até porque já uma vez o alarme já tinha tocado por algum fumo num dos quartos, mas coisa pouca. Então, sem razões para grandes alarmismos, fui-me deitar que estava cansado e precisava de dormir, apesar de o barulho da sirene e da voz máscula continua insistentemente.
De repente oiço murros na porta e uma voz ríspida a ordenar: Leave your room! Now!
Foi apenas o tempo de vestir um casaco por cima do pijama e abandonar o quarto em passo de corrida quando devia era estar a dormir! Só quando chego ao corredor da segunda ala do bloco P do edifício da Guest House é que me dei conta que, de facto, algo se tinha ali passado, cuja gravidade fui incapaz de discorrer, mas que pelo fumo e pelo ambiente criado por quem nos evacuava dos quartos, alguma teria com certeza.
Na recepção, à entrada da Guest House, concentrou-se um amontoado enorme de pessoas ensonadas, uns em boxers, outros de toalha de banho ao pescoço, outros sabe-se lá como, num burburinho crescente de indignação, pois eram praticamente três horas da manhã!
Entretanto, cerca de dez minutos depois do início do alarme, aparece um corpo de intervenção dos bombeiros, armados com fatos especiais, capacete e botijas de ar, no sentido da fonte do problema. Passados alguns minutos regressavam e, após mais alguns instantes de espera, lá se pôde regressar ao quarto, recuperando de um susto sem razão aparente, para tentar voltar ao sono no ponto em que este fora interrompido…
Ontem à noite, depois de ler as coisas para a aula de hoje, fui-me deitar, pois a aula iria ser às 8:30, para poder descansar em condições. Com as preocupações da vida o sono estava a demorar até que, finalmente, lá adormeci.
Mas eis que, subitamente, oiço o alarme de incêndio irritantemente alto e repetitivo. Uma sirene a que se seguia uma voz forte em várias línguas incitando o uso das portas de emergência. O Nuno foi à porta, espreitou para o corredor e apenas viu outras pessoas a fazer o mesmo, a espreitar, e nenhuma razão havia aparentemente para preocupação. Até porque já uma vez o alarme já tinha tocado por algum fumo num dos quartos, mas coisa pouca. Então, sem razões para grandes alarmismos, fui-me deitar que estava cansado e precisava de dormir, apesar de o barulho da sirene e da voz máscula continua insistentemente.
De repente oiço murros na porta e uma voz ríspida a ordenar: Leave your room! Now!
Foi apenas o tempo de vestir um casaco por cima do pijama e abandonar o quarto em passo de corrida quando devia era estar a dormir! Só quando chego ao corredor da segunda ala do bloco P do edifício da Guest House é que me dei conta que, de facto, algo se tinha ali passado, cuja gravidade fui incapaz de discorrer, mas que pelo fumo e pelo ambiente criado por quem nos evacuava dos quartos, alguma teria com certeza.
Na recepção, à entrada da Guest House, concentrou-se um amontoado enorme de pessoas ensonadas, uns em boxers, outros de toalha de banho ao pescoço, outros sabe-se lá como, num burburinho crescente de indignação, pois eram praticamente três horas da manhã!
Entretanto, cerca de dez minutos depois do início do alarme, aparece um corpo de intervenção dos bombeiros, armados com fatos especiais, capacete e botijas de ar, no sentido da fonte do problema. Passados alguns minutos regressavam e, após mais alguns instantes de espera, lá se pôde regressar ao quarto, recuperando de um susto sem razão aparente, para tentar voltar ao sono no ponto em que este fora interrompido…
quinta-feira, novembro 13, 2003
Doutorices
Ontem o Daniel, aquele rapaz de olhos verdes, sorriso generoso e com bastante jeito para a música, fez questão de celebrar a sua licenciatura. E nós, todos, fizemos questão em estarmos presentes!
Na Zero Tolerance Party, como foi apelidada, quem quisesse festejar tinha de ter uma razão para tal, escrita em cores vistosas numa folha de papel que por aí se arranjou. E não faltavam razões estapafúrdias! O que interessava mesmo era festejar.
À boa maneira portuguesa, a festa começa à refeição, sendo esta para todos os portugueses aqui nesta vida (já vai sendo hábito) servindo-se-lhes um belo frango com arroz e ervilhas. Havia também salada-de-frutas com um cheirinho a vinho, a que algumas pessoas chamam também de sangria!
No entanto o prato forte da noite, que nem prato era, estava empilhado em quatro grades de cores e marcas distintas. Para as refrescar, para que pudessem refrescar, houve que pensar numa reestruturação do frigorífico, que para além de pequeno estava cheio com as coisas do dia-a-dia. Empurrão aqui, apertão acolá e lá coube tudo de mansinho!
Fosse isto uma acta e haveria a registar uma moção de censura entregue ao nosso amigo afastado, por estar para além do rio, que se tem baldado ao convívio luso em terras planas dos países baixos. Foi uma maneira de mostrarmos que estamos preocupados com ele e que gostaríamos que participasse mais com o resto do grupo em eventos inesquecíveis como este.
Se é doutor, alguma formalidade deve apresentar. Por isso, com papel higiénico se lhe fez uma fantástica gravata à medida, com o nó no sítio e o bico na extremidade. Parecia um senhor, até a Ana amavelmente espalhar pelos cabelos do doutor um gel gorduroso de qualidade duvidosa. É muito querida esta Querido! Depois pegou a peste a toda a gente, ficando todos com o cabelo empastado e reluzente.
E pronto, temos doutor…
Ontem o Daniel, aquele rapaz de olhos verdes, sorriso generoso e com bastante jeito para a música, fez questão de celebrar a sua licenciatura. E nós, todos, fizemos questão em estarmos presentes!
Na Zero Tolerance Party, como foi apelidada, quem quisesse festejar tinha de ter uma razão para tal, escrita em cores vistosas numa folha de papel que por aí se arranjou. E não faltavam razões estapafúrdias! O que interessava mesmo era festejar.
À boa maneira portuguesa, a festa começa à refeição, sendo esta para todos os portugueses aqui nesta vida (já vai sendo hábito) servindo-se-lhes um belo frango com arroz e ervilhas. Havia também salada-de-frutas com um cheirinho a vinho, a que algumas pessoas chamam também de sangria!
No entanto o prato forte da noite, que nem prato era, estava empilhado em quatro grades de cores e marcas distintas. Para as refrescar, para que pudessem refrescar, houve que pensar numa reestruturação do frigorífico, que para além de pequeno estava cheio com as coisas do dia-a-dia. Empurrão aqui, apertão acolá e lá coube tudo de mansinho!
Fosse isto uma acta e haveria a registar uma moção de censura entregue ao nosso amigo afastado, por estar para além do rio, que se tem baldado ao convívio luso em terras planas dos países baixos. Foi uma maneira de mostrarmos que estamos preocupados com ele e que gostaríamos que participasse mais com o resto do grupo em eventos inesquecíveis como este.
Se é doutor, alguma formalidade deve apresentar. Por isso, com papel higiénico se lhe fez uma fantástica gravata à medida, com o nó no sítio e o bico na extremidade. Parecia um senhor, até a Ana amavelmente espalhar pelos cabelos do doutor um gel gorduroso de qualidade duvidosa. É muito querida esta Querido! Depois pegou a peste a toda a gente, ficando todos com o cabelo empastado e reluzente.
E pronto, temos doutor…
terça-feira, novembro 11, 2003
Concerto
Ao desfolhar a agenda cultural para o mês de Novembro em Maastricht dei de caras com um evento musical protagonizado por um português, Luis Andrade de seu nome, violoncelista de dedicação. No entanto neste concerto ele não foi tocar violoncelo, mas reger a singela e incipiente orquestra de cordas para música de câmara.
Para o acompanhar foi convidado um dos melhores guitarristas clássicos do mundo, o italiano Carlo Marchione. Para além deste como figura de destaque havia o resto da formação, fundamentalmente com alunos do conservatório, local onde o concerto se realizou, numa sala especial para uma melhor acústica.
Então às 19:30 quem quis ir foi, quem não quis ficou e mais nada. Perderam um concerto bastante interessante, apesar de singelo, pela jovialidade dos músicos e da plateia. Apesar de passar por ali muitas vezes, dada a proximidade com a Faculdade, nunca me aventurara a entrar naquele edifício de onde saem notas soltas do estudo da música que fazem alterar (para melhor, espera-se) o estado de espírito.
No final, tive oportunidade de falar um pouco com o português Luis Andrade, da Madeira e sem grande vontade de voltar a Portugal, depois de ter estudado sete anos em Kiev e quatro aqui em Maastricht. Será que isso quer dizer alguma coisa?...
Ao desfolhar a agenda cultural para o mês de Novembro em Maastricht dei de caras com um evento musical protagonizado por um português, Luis Andrade de seu nome, violoncelista de dedicação. No entanto neste concerto ele não foi tocar violoncelo, mas reger a singela e incipiente orquestra de cordas para música de câmara.
Para o acompanhar foi convidado um dos melhores guitarristas clássicos do mundo, o italiano Carlo Marchione. Para além deste como figura de destaque havia o resto da formação, fundamentalmente com alunos do conservatório, local onde o concerto se realizou, numa sala especial para uma melhor acústica.
Então às 19:30 quem quis ir foi, quem não quis ficou e mais nada. Perderam um concerto bastante interessante, apesar de singelo, pela jovialidade dos músicos e da plateia. Apesar de passar por ali muitas vezes, dada a proximidade com a Faculdade, nunca me aventurara a entrar naquele edifício de onde saem notas soltas do estudo da música que fazem alterar (para melhor, espera-se) o estado de espírito.
No final, tive oportunidade de falar um pouco com o português Luis Andrade, da Madeira e sem grande vontade de voltar a Portugal, depois de ter estudado sete anos em Kiev e quatro aqui em Maastricht. Será que isso quer dizer alguma coisa?...
segunda-feira, novembro 10, 2003
Bacalhau
Quando eu nasci, há 7845 dias, no dia 19 de Maio de 1982 enquanto o Papa visitava Fátima, o médico depois de dar a tradicional palmadinha e ouvir a pobre criança a gritar desalmadamente que nem doida, disse prontamente: Tens bons pulmões, vê-se que és da terra do bacalhau!
Quando a minha me conta este episódio eu não compreendo o porquê de tal afirmação: o que é que tem uma coisa a ver com a outra? Mas então ela lá tenta pacientemente explicar. Queria apenas o médico fazer alusão às Cortes, terra que conhecia bem e é conhecida por servir um bom bacalhau nalguns restaurantes. No entanto, premonição ou feitiço, a verdade é que nunca gostei muito de bacalhau, a não ser em alguns pratos.
Contudo, a falta continuada provoca mudanças. No país das tulipas de entre o pouco peixe que se pode encontrar nos supermercados, o bacalhau é esquecido. Há algumas marcas que vendem em caixas de cartão um paralelepípedo de bacalhau congelado estilo ração de combate que se torna numa ofensa ao próprio peixe.
Já por várias vezes referido aos holandeses e demais não lusitanos, seja ao som de alguma música inspiradora, seja à mesa com saudades, e muitos não fazem ideia do que estamos a falar. Pelos vistos o tipicamente português bacalhau da Noruega é mesmo só isso: português! E depois começa-se a falar das várias maneiras de o cozinhar e a pensar em como a mãezinha o cozinha e de súbito o silêncio: não falem no que não podem ter!
Porém, através dos pais do Miguel, chegou aqui a Maastricht o verdadeiro bacalhau, demolhado como se quer. Então ficou logo encaminhado para o jantar de ontem, no quarto multiusos. Bacalhau cozido com batatas, cenoura, cebola, couve e bastante azeite (praticamente uma garrafa dele!) soube a pouco, apesar de termos todos ficado bastante cheios. Estava mesmo muito bom! E foi um jantar à portuguesa…
Quando eu nasci, há 7845 dias, no dia 19 de Maio de 1982 enquanto o Papa visitava Fátima, o médico depois de dar a tradicional palmadinha e ouvir a pobre criança a gritar desalmadamente que nem doida, disse prontamente: Tens bons pulmões, vê-se que és da terra do bacalhau!
Quando a minha me conta este episódio eu não compreendo o porquê de tal afirmação: o que é que tem uma coisa a ver com a outra? Mas então ela lá tenta pacientemente explicar. Queria apenas o médico fazer alusão às Cortes, terra que conhecia bem e é conhecida por servir um bom bacalhau nalguns restaurantes. No entanto, premonição ou feitiço, a verdade é que nunca gostei muito de bacalhau, a não ser em alguns pratos.
Contudo, a falta continuada provoca mudanças. No país das tulipas de entre o pouco peixe que se pode encontrar nos supermercados, o bacalhau é esquecido. Há algumas marcas que vendem em caixas de cartão um paralelepípedo de bacalhau congelado estilo ração de combate que se torna numa ofensa ao próprio peixe.
Já por várias vezes referido aos holandeses e demais não lusitanos, seja ao som de alguma música inspiradora, seja à mesa com saudades, e muitos não fazem ideia do que estamos a falar. Pelos vistos o tipicamente português bacalhau da Noruega é mesmo só isso: português! E depois começa-se a falar das várias maneiras de o cozinhar e a pensar em como a mãezinha o cozinha e de súbito o silêncio: não falem no que não podem ter!
Porém, através dos pais do Miguel, chegou aqui a Maastricht o verdadeiro bacalhau, demolhado como se quer. Então ficou logo encaminhado para o jantar de ontem, no quarto multiusos. Bacalhau cozido com batatas, cenoura, cebola, couve e bastante azeite (praticamente uma garrafa dele!) soube a pouco, apesar de termos todos ficado bastante cheios. Estava mesmo muito bom! E foi um jantar à portuguesa…
domingo, novembro 09, 2003
Eclipse
Desde sempre os fenómenos celestiais fascinaram o Homem pela sua beleza, raridade e dificuldade de compreensão. Esse fascínio expande-se quando algo se passa no que mais aparentemente próximo está de nós.
É o caso do eclipse da Lua que se pôde ver hoje de madrugada, por volta das duas da manhã em Maastricht (aproximadamente com coordenadas 50,8° N; 5,6° E). A Lua Cheia ficou como Lua Nova, passando de um extremo de luminosidade ao outro em alguns instantes.
Nós, atentos a essa informação cosmológica, quisemos ver o eclipse total da Lua, ainda por cima numa noite de céu limpo. Pena foi que tivéssemos chegado um pouco atrasados e a Lua já tivesse passado a penumbra que a Terra lhe causava, estando ainda, apesar de tudo, com uma tonalidade diferente do habitual e bastante interessante de se observar.
Desde sempre os fenómenos celestiais fascinaram o Homem pela sua beleza, raridade e dificuldade de compreensão. Esse fascínio expande-se quando algo se passa no que mais aparentemente próximo está de nós.
É o caso do eclipse da Lua que se pôde ver hoje de madrugada, por volta das duas da manhã em Maastricht (aproximadamente com coordenadas 50,8° N; 5,6° E). A Lua Cheia ficou como Lua Nova, passando de um extremo de luminosidade ao outro em alguns instantes.
Nós, atentos a essa informação cosmológica, quisemos ver o eclipse total da Lua, ainda por cima numa noite de céu limpo. Pena foi que tivéssemos chegado um pouco atrasados e a Lua já tivesse passado a penumbra que a Terra lhe causava, estando ainda, apesar de tudo, com uma tonalidade diferente do habitual e bastante interessante de se observar.
sábado, novembro 08, 2003
Matrix: o fim
O último filme da triologia já era impacientemente esperado. Assim a comitiva portuguesa aqui em Maastricht decidiu ver o filme logo que possível, e isso foi ontem, no cinema aqui da cidade.
Havia quem ainda não tinha visto o segundo filme, como eu, e queria vê-lo antes do terceiro. Para isso fiz o download do Matrix Reloaded, precavendo-me a tempo, e vi-o horas antes do novo, estando assim bastante frescos alguns pormenores na minha memória.
O filme, e isso certificámo-nos antes com os holandeses, é apenas legendado, como em Portugal, e por isso segue-se bem. Não fossem os holandeses fazer como os espanhóis e aí é que era apanhar bonés do princípio ao fim do filme!
Na reprodução do filme, apesar de já começar a ser cada vez mais raro, tinha intervalo, que serviu, entre outras coisas, para adquirir meio litro de refresco para cada um!
O que faz já pensar que já vivemos aqui há imenso tempo foi também o facto de termos ido ao cinema e encontrado gente conhecida, como a Tessel do ESN. Parece que estou em Leiria onde encontro os amigos no cinema, num acto bastante mais social que a simples visualização de um qualquer filme.
O último filme da triologia já era impacientemente esperado. Assim a comitiva portuguesa aqui em Maastricht decidiu ver o filme logo que possível, e isso foi ontem, no cinema aqui da cidade.
Havia quem ainda não tinha visto o segundo filme, como eu, e queria vê-lo antes do terceiro. Para isso fiz o download do Matrix Reloaded, precavendo-me a tempo, e vi-o horas antes do novo, estando assim bastante frescos alguns pormenores na minha memória.
O filme, e isso certificámo-nos antes com os holandeses, é apenas legendado, como em Portugal, e por isso segue-se bem. Não fossem os holandeses fazer como os espanhóis e aí é que era apanhar bonés do princípio ao fim do filme!
Na reprodução do filme, apesar de já começar a ser cada vez mais raro, tinha intervalo, que serviu, entre outras coisas, para adquirir meio litro de refresco para cada um!
O que faz já pensar que já vivemos aqui há imenso tempo foi também o facto de termos ido ao cinema e encontrado gente conhecida, como a Tessel do ESN. Parece que estou em Leiria onde encontro os amigos no cinema, num acto bastante mais social que a simples visualização de um qualquer filme.
sexta-feira, novembro 07, 2003
O Parlamento Europeu
Por iniciativa do Miguel, quinta-feira dia 6 de Novembro, ou seja, ontem, oito portugueses receberam uma recepção quase ministerial no parlamento europeu, com oportunidade para assistir a uma sessão plenária e percorrer corredores interditos a visitantes comuns.
Num dia em que a segurança estava especialmente apertada pela importância de alguns debates que iriam decorrer, telefonamos para quem nos iria receber e aparecem duas senhoras. Nós para agradecer a gentileza tínhamos comprado um ramo de flores… mas era só um e agora apareciam duas pessoas! E permaneceu por instantes um impasse, até que, empurrando de uns para os outros, lá se ofereceu o dito ramo!
Então fomos guiados até aos lugares onde os visitantes podem assistir aos debates, onde permanecemos cerca de uma hora, que acabou com votações de enfiada a emendas. Durante o debate o que é mais notório é a dificuldade dos intérpretes para darem a melhor ideia possível do que vai sendo dito o mais rapidamente que puderem. É sem dúvida uma das maiores dificuldades logísticas a diversidade linguística no seio da União Europeia. E agora com o alargamento a situação adquire contorno verdadeiramente surreais!
Houve momentos de conversa em que nos foram explicados inúmeros detalhes sobre a vida numa instituição como o Parlamento Europeu de forma informal por quem lá trabalha, enquanto sentados à mesa no bar ou nos corredores a caminho do elevador. No final a fotografia ao hemiciclo e um saco com algumas lembranças, de entre as quais o projecto da nova constituição europeia, para mais tarde recordar.
Por iniciativa do Miguel, quinta-feira dia 6 de Novembro, ou seja, ontem, oito portugueses receberam uma recepção quase ministerial no parlamento europeu, com oportunidade para assistir a uma sessão plenária e percorrer corredores interditos a visitantes comuns.
Num dia em que a segurança estava especialmente apertada pela importância de alguns debates que iriam decorrer, telefonamos para quem nos iria receber e aparecem duas senhoras. Nós para agradecer a gentileza tínhamos comprado um ramo de flores… mas era só um e agora apareciam duas pessoas! E permaneceu por instantes um impasse, até que, empurrando de uns para os outros, lá se ofereceu o dito ramo!
Então fomos guiados até aos lugares onde os visitantes podem assistir aos debates, onde permanecemos cerca de uma hora, que acabou com votações de enfiada a emendas. Durante o debate o que é mais notório é a dificuldade dos intérpretes para darem a melhor ideia possível do que vai sendo dito o mais rapidamente que puderem. É sem dúvida uma das maiores dificuldades logísticas a diversidade linguística no seio da União Europeia. E agora com o alargamento a situação adquire contorno verdadeiramente surreais!
Houve momentos de conversa em que nos foram explicados inúmeros detalhes sobre a vida numa instituição como o Parlamento Europeu de forma informal por quem lá trabalha, enquanto sentados à mesa no bar ou nos corredores a caminho do elevador. No final a fotografia ao hemiciclo e um saco com algumas lembranças, de entre as quais o projecto da nova constituição europeia, para mais tarde recordar.
Leuven
Nesta cidade belga encontra-se um grande número de Erasmus portugueses, cerca de vinte, com quem nos encontrámos na quarta-feira à noite. Os oito portugueses que vinham de Maastricht dividiram-se pelo chão de duas casas de quem nos recebeu. Largadas as mochilas, vamos conhecer Leuven!
Daquela cidade que pareceu pequena vimos apenas aquilo por que passámos. Mas isso é o que acontece sempre, não é? Só se vê, ao vivo, passando pelos sítios. A diferença é que neste caso a passagem pelos diversos pontos de interesse não era com o intuito de os ver, mas o de chegar a um certo local que implicava passar por ali. E foi esta a vista geral sobre a cidade com que ficámos: casas de traça antiga subtilmente iluminadas na noite no conjunto interessante.
Para matar a fome e ao mesmo tempo as saudades, fomos todos a um restaurante português comer um bacalhau-à-Brás acompanhado de uma sangria bem escorregante e da animação que daí advinha. Apesar das críticas ao bacalhau, soube-me mesmo bem… devia também ser da fome!
Depois a ideia do ambiente nocturno foi oferecida por uma festa espanhola em casa de um qualquer deles que me fez lembrar cenas do filme American Pie! Aquilo estava mais que cheio, em que cotovelada e empurrão eram o modo de prosseguir caminho naquele emaranhado de gente.
Finalmente lá se chegou à abençoada posição horizontal para recolher um pedaço de sono restabelecedor. Aos poucos o silêncio apodera-se do ruído e os olhos semi-cerrados enfim se fecham.
Nesta cidade belga encontra-se um grande número de Erasmus portugueses, cerca de vinte, com quem nos encontrámos na quarta-feira à noite. Os oito portugueses que vinham de Maastricht dividiram-se pelo chão de duas casas de quem nos recebeu. Largadas as mochilas, vamos conhecer Leuven!
Daquela cidade que pareceu pequena vimos apenas aquilo por que passámos. Mas isso é o que acontece sempre, não é? Só se vê, ao vivo, passando pelos sítios. A diferença é que neste caso a passagem pelos diversos pontos de interesse não era com o intuito de os ver, mas o de chegar a um certo local que implicava passar por ali. E foi esta a vista geral sobre a cidade com que ficámos: casas de traça antiga subtilmente iluminadas na noite no conjunto interessante.
Para matar a fome e ao mesmo tempo as saudades, fomos todos a um restaurante português comer um bacalhau-à-Brás acompanhado de uma sangria bem escorregante e da animação que daí advinha. Apesar das críticas ao bacalhau, soube-me mesmo bem… devia também ser da fome!
Depois a ideia do ambiente nocturno foi oferecida por uma festa espanhola em casa de um qualquer deles que me fez lembrar cenas do filme American Pie! Aquilo estava mais que cheio, em que cotovelada e empurrão eram o modo de prosseguir caminho naquele emaranhado de gente.
Finalmente lá se chegou à abençoada posição horizontal para recolher um pedaço de sono restabelecedor. Aos poucos o silêncio apodera-se do ruído e os olhos semi-cerrados enfim se fecham.
quarta-feira, novembro 05, 2003
Leilão
Não, desta vez não foram móveis nem quadros caros, mas tão-somente pessoas que foram leiloadas! E com o cunho do ESN, que não pára de surpreender, criando sempre novas e divertidas actividades para que os estudantes Erasmus estejam integrados e apreciem a sua estadia aqui em Maastricht.
Houve inclusive um panfleto a anunciar os produtos tal e qual revista de promoção de supermercado, onde os quatro portugueses que estavam inscritos estavam em grande destaque numa fotografia eufórica que já é um clássico. Eu fui à última hora quando um dos membros decidiu abandonar os camaradas!
No bar do costume à terça-feira, no piso superior estava montado um estrado com mesas estilo passerelle dos desfiles de moda, mas as pessoas não chegara, infelizmente, a andar às cotoveladas. Isto é, podia estar mais cheio!…
Então por ordem de chamada uns e outros subiam às mesas-passerelle e desfilavam um pouco ao som de uma qualquer música e começava a licitação. Quem dá mais, quem dá mais… Vendido! E seguia para o próximo. Valia tudo o que a originalidade aprouvesse.
Foi uma maneira de fazer negócio e passar uma grande noite com bastante animação.
Não, desta vez não foram móveis nem quadros caros, mas tão-somente pessoas que foram leiloadas! E com o cunho do ESN, que não pára de surpreender, criando sempre novas e divertidas actividades para que os estudantes Erasmus estejam integrados e apreciem a sua estadia aqui em Maastricht.
Houve inclusive um panfleto a anunciar os produtos tal e qual revista de promoção de supermercado, onde os quatro portugueses que estavam inscritos estavam em grande destaque numa fotografia eufórica que já é um clássico. Eu fui à última hora quando um dos membros decidiu abandonar os camaradas!
No bar do costume à terça-feira, no piso superior estava montado um estrado com mesas estilo passerelle dos desfiles de moda, mas as pessoas não chegara, infelizmente, a andar às cotoveladas. Isto é, podia estar mais cheio!…
Então por ordem de chamada uns e outros subiam às mesas-passerelle e desfilavam um pouco ao som de uma qualquer música e começava a licitação. Quem dá mais, quem dá mais… Vendido! E seguia para o próximo. Valia tudo o que a originalidade aprouvesse.
Foi uma maneira de fazer negócio e passar uma grande noite com bastante animação.
terça-feira, novembro 04, 2003
Berlim
No fim-de-semana passado, mais uma viagem, mais uma voltinha pela Europa, desta feita de carro e para longe na Alemanha. Cerca de 650 Km separam Maastricht de Berlim e foram fastidiosamente percorridos debaixo de chuva na esperança de encontrar bom tempo no destino.
Querendo ir quase todos os portugueses que estão em Maastricht em Erasmus houve que ponderar preços e ficámo-nos pelo aluguer de dois carros, visto que éramos sete, de gama baixa, visto que era para ser o mais económico possível: um Opel Agila e um Corsa.
No entanto custou a espera para levantar os carros. Eu e o Luís fomos à AVIS à hora combinada e lá estava a porta fechada com um papelinho em holandês de onde depreendi que voltava dentro de dez minutos (só que ninguém sabia quando é começaram esses dez minutos!). Esperamos mais de uma hora, com as mochilas ainda por fazer e o tempo a escassear até que, por fim, lá aparece sorridente o dito sujeito. Ainda bem que tínhamos parado antes para comer um croissant porque senão é que não dava para estar ali à espera!
Distribuídas as pessoas pelos carros e a respectiva carga, lá seguimos o caminho. Ou tentámos, pelo menos, pois por várias vezes o carro que ia à frente saía na saída errada da auto-estrada. E então andávamos um bocado ali às voltas até encarreirarmos de novo no caminho que estávamos a seguir.
O Hotel apesar de bastante berrante, com neons azuis tipo discoteca, estava a ser difícil dar com ele. Um quarto para oito pessoas, quatro beliches, duas alas separadas por uma parede fina que com muros de um lado se ouvia facilmente do outro (experimentámos e tudo para ver se era verdade!) e um lavatório foi o alojamento onde ficámos.
Então e Berlim? A primeira coisa de que uma pessoa se lembra e a última que quem por lá passou se quer lembrar é o muro de Berlim, que dividiu a cidade durante cerca de 26 anos. No sítio onde havia muro há agora no chão uma marca simbólica com pedras de calçada delineando o local por onde passava o muro. Encontravam-se facilmente bocados de muro avulso e o Checkpoint Charlie onde ainda estava a “casota” para os soldados americanos davam a impressão que o muro ainda estava de pé. Afinal não assim há tanto tempo… E as inúmeras gruas que ajudam ainda na (re)construção da cidade e algumas casas com marcas de balas nas suas paredes mostram isso mesmo.
Para além disso, a catedral e o relvado à sua frente, algumas praças e igrejas, os mercados de rua onde se vendiam produtos comunistas, como alguns chapéus que caíram em graça entre alguns de nós, davam um ar menos triste à cidade que muita coisa interessante tem para ver.
Não podíamos abandonar este pedaço de terra alemão, ainda por cima capital, sem provarmos uma bola de Berlim… de Berlim. Para não ser só guloseimas, comeu-se antes uma salsicha alemã, daquelas que ficam metade fora do pão. Aí sim, parámos e dissemos: isto é que é o verdadeiro salsichame!
No domingo de manhã cedo fomos ao parlamento, pois no dia anterior passámos lá e havia que esperar cerca de uma hora e meia, e, depois de passar tudo pelos detectores de metais como se se tratasse de um aeroporto, chegámos de elevador à cúpula moderna bem enquadrada num edifício de traça antiga. Daí via-se boa parte da cidade e facilmente se distinguiam os sectores do tempo do muro de cimento. Fotos, fotos, fotos e estava visto!
Já no regresso passeámos nuns jardins intermináveis, bastante bem cuidados, com palácios aqui e ali, semeados como árvores, num êxtase de beleza natural integrada na criação do Homem que nos agradou. Foi um bom momento de descontracção antes de partir para nova viagem de longa duração.
No fim-de-semana passado, mais uma viagem, mais uma voltinha pela Europa, desta feita de carro e para longe na Alemanha. Cerca de 650 Km separam Maastricht de Berlim e foram fastidiosamente percorridos debaixo de chuva na esperança de encontrar bom tempo no destino.
Querendo ir quase todos os portugueses que estão em Maastricht em Erasmus houve que ponderar preços e ficámo-nos pelo aluguer de dois carros, visto que éramos sete, de gama baixa, visto que era para ser o mais económico possível: um Opel Agila e um Corsa.
No entanto custou a espera para levantar os carros. Eu e o Luís fomos à AVIS à hora combinada e lá estava a porta fechada com um papelinho em holandês de onde depreendi que voltava dentro de dez minutos (só que ninguém sabia quando é começaram esses dez minutos!). Esperamos mais de uma hora, com as mochilas ainda por fazer e o tempo a escassear até que, por fim, lá aparece sorridente o dito sujeito. Ainda bem que tínhamos parado antes para comer um croissant porque senão é que não dava para estar ali à espera!
Distribuídas as pessoas pelos carros e a respectiva carga, lá seguimos o caminho. Ou tentámos, pelo menos, pois por várias vezes o carro que ia à frente saía na saída errada da auto-estrada. E então andávamos um bocado ali às voltas até encarreirarmos de novo no caminho que estávamos a seguir.
O Hotel apesar de bastante berrante, com neons azuis tipo discoteca, estava a ser difícil dar com ele. Um quarto para oito pessoas, quatro beliches, duas alas separadas por uma parede fina que com muros de um lado se ouvia facilmente do outro (experimentámos e tudo para ver se era verdade!) e um lavatório foi o alojamento onde ficámos.
Então e Berlim? A primeira coisa de que uma pessoa se lembra e a última que quem por lá passou se quer lembrar é o muro de Berlim, que dividiu a cidade durante cerca de 26 anos. No sítio onde havia muro há agora no chão uma marca simbólica com pedras de calçada delineando o local por onde passava o muro. Encontravam-se facilmente bocados de muro avulso e o Checkpoint Charlie onde ainda estava a “casota” para os soldados americanos davam a impressão que o muro ainda estava de pé. Afinal não assim há tanto tempo… E as inúmeras gruas que ajudam ainda na (re)construção da cidade e algumas casas com marcas de balas nas suas paredes mostram isso mesmo.
Para além disso, a catedral e o relvado à sua frente, algumas praças e igrejas, os mercados de rua onde se vendiam produtos comunistas, como alguns chapéus que caíram em graça entre alguns de nós, davam um ar menos triste à cidade que muita coisa interessante tem para ver.
Não podíamos abandonar este pedaço de terra alemão, ainda por cima capital, sem provarmos uma bola de Berlim… de Berlim. Para não ser só guloseimas, comeu-se antes uma salsicha alemã, daquelas que ficam metade fora do pão. Aí sim, parámos e dissemos: isto é que é o verdadeiro salsichame!
No domingo de manhã cedo fomos ao parlamento, pois no dia anterior passámos lá e havia que esperar cerca de uma hora e meia, e, depois de passar tudo pelos detectores de metais como se se tratasse de um aeroporto, chegámos de elevador à cúpula moderna bem enquadrada num edifício de traça antiga. Daí via-se boa parte da cidade e facilmente se distinguiam os sectores do tempo do muro de cimento. Fotos, fotos, fotos e estava visto!
Já no regresso passeámos nuns jardins intermináveis, bastante bem cuidados, com palácios aqui e ali, semeados como árvores, num êxtase de beleza natural integrada na criação do Homem que nos agradou. Foi um bom momento de descontracção antes de partir para nova viagem de longa duração.
domingo, novembro 02, 2003
Morte
A única coisa de que podemos ter a certeza na nossa vida é o facto de ela um dia chegar ao fim. Mas por mais certa que seja, ninguém sabe como é, pois é como um bilhete só de ida aonde os passeiros não voltam para contar como foi. Esta sempre foi muito difícil de encarar. A humanidade enfrenta-a das mais diversas formas e estabelece em relação à morte os mais variados rituais.
Aquando da minha ida a Paris, visitei um cemitério onde estão perto de uma centena de pessoas famosas. Tão grande é aquele espaço que é a maior área verde de Paris e até existe um mapa (custa é dois euros) do cemitério, com destaque para os mortos mais importantes.
A maneira como percorríamos aquele cemitério era um pouco leviana, quais turistas à procura de atracções principais para tirar umas meras fotografias que captassem o facto de que “eu estive aqui”. Não se dava, por isso, o devido valor ao local onde estávamos que, apesar de tudo, merece, na minha opinião, respeito.
Para além disso, o cemitério consistia basicamente de jazigos das mais variadas formas que tornam aquele sítio ainda mais sombrio e pesado. As muitas árvores que quase o florestam agravam a escuridão que sobre este paira.
Com isto surgia a questão sobre se os mortos deveriam ser enterrados ou não e o porquê da cremação do corpo. Deve haver a ligação dos vivos com os seus entes queridos que faleceram através do cemitério ou dever-se-á ser mais radical e acabar essa relação com o fim da vida?
A única coisa de que podemos ter a certeza na nossa vida é o facto de ela um dia chegar ao fim. Mas por mais certa que seja, ninguém sabe como é, pois é como um bilhete só de ida aonde os passeiros não voltam para contar como foi. Esta sempre foi muito difícil de encarar. A humanidade enfrenta-a das mais diversas formas e estabelece em relação à morte os mais variados rituais.
Aquando da minha ida a Paris, visitei um cemitério onde estão perto de uma centena de pessoas famosas. Tão grande é aquele espaço que é a maior área verde de Paris e até existe um mapa (custa é dois euros) do cemitério, com destaque para os mortos mais importantes.
A maneira como percorríamos aquele cemitério era um pouco leviana, quais turistas à procura de atracções principais para tirar umas meras fotografias que captassem o facto de que “eu estive aqui”. Não se dava, por isso, o devido valor ao local onde estávamos que, apesar de tudo, merece, na minha opinião, respeito.
Para além disso, o cemitério consistia basicamente de jazigos das mais variadas formas que tornam aquele sítio ainda mais sombrio e pesado. As muitas árvores que quase o florestam agravam a escuridão que sobre este paira.
Com isto surgia a questão sobre se os mortos deveriam ser enterrados ou não e o porquê da cremação do corpo. Deve haver a ligação dos vivos com os seus entes queridos que faleceram através do cemitério ou dever-se-á ser mais radical e acabar essa relação com o fim da vida?
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