Pássaros
Desde pequeno que gosto de observar os animais e a modo como vivem na Natureza. Tive a sorte, sim sorte, de viver no campo (na província como gostam de chamar os lisboetas), apesar de estar bastante próximo da cidade. Tinha as vantagens da cidade sem estar lá a viver!
Em miúdo ainda pequeno com o meu primo Fernando íamos aos ninhos, não para os destruir como faziam muitos, mas para ver os ovos e acompanhar o desenvolvimento dos bichos. A nossa observação pouco tinha de racional, mas tocava-nos emocionalmente.
Sempre houve em minha casa, desde que me lembro pelo menos, animais, desde galinhas e patos a pombos e coelhos… Sempre foi natural o apreciar a Natureza, ver os bichos comer, a lavarem-se, a lutarem, o dia-a-dia.
Era capaz de estar horas a fio naquelas férias do Verão deitado numa pequena ponte pedonal sobre o rio que passa perto da minha casa a apreciar os pássaros de galho em galho, a voar e rasar a água, o chilrear, sei lá. E isso fascinava-me. A princípio não se vê nada, pois os passaritos escondiam-se entre as folhas. Mas aos poucos, desinibem-se e em pouco tempo pareço estar no meio da selva…
No Luxemburgo, por exemplo, quando fomos aos edifícios da União Europeia tantos corvos haviam naquela zona que até nas janelas do edifício estavam colados autocolantes de corvos. E enormes que eles eram.
Os pássaros sempre fascinaram, penso eu, a humanidade pelo sentimento de liberdade física que emanam. Já Ícaro tentara apropriar-se desse sentimento em vão. Fomos condenados a invejar os pássaros pelo que conseguem fazer com tremenda facilidade: voar.
sexta-feira, outubro 31, 2003
quinta-feira, outubro 30, 2003
Schooling, Jobs and Competences
Este é o nome de uma das cadeiras que escolhi para o segundo bloco e não podia ter começado de forma mais estranha. Ao chegar à sala já lá estavam praticamente todos (deve ser influência do horário luso) e pairava um silêncio sepulcral na sala. Ouvia-se o silêncio!
Ninguém falava com ninguém. Percebia-se que estavam todos sós no meio de um grupo, mas nem o mínimo de conversação foi tentada sequer.
Para ultrapassar este problema, no Block Book, para quem o tinha (quando o professor se referiu a uma parte do Block Book assumindo que já todos tinham lido, uma rapariga olha para mim e eu para ela no sentido em que era a nós que ele se referia, visto não termos o dito Block Book), havia uma tarefa que consistia em cada um se apresentar. Foi precisa esta “tarefa” um tanto ou quanto pouco adequada ao nome de tarefa para quebrar o gelo na turma. Mesmo assim, no intervalo voltou o estranho silêncio fúnebre…
O professor em vez de ajudar nisso, como não tem experiência de ensino, visto que acabou os estudos há pouco tempo, ainda agravava mais o impasse. Um professor francês que veio para a Holanda para dar aulas em inglês.
Para além disso, esta foi a minha primeira aula desde que aqui estou em Maastricht que funciona na base do aqui famoso PBL: problem based learning, ou o aprender por nós próprios a partir da discussão de problemas.
Foi distribuída uma lista com nomes por ordem alfabética e uma data para cada um deles, que lembrava quem é que seria o discussion leader em cada aula. Eu era o segundo da lista: De Sousa Marques! (Porquê o “de”?!). Então tinha uma oportunidade de ver o que era suposto o “líder da discussão” fazer enquanto enquadrado neste sistema de PBL.
Porém, eis que surge o factor de mudança: o primeiro da lista não estava presente!
— Gonçalo, não se importa de ser o discussion leader?
Ora então que seja! Faço o melhor que posso. E então eu dizia que devíamos fazer coisas que já era suposto serem feitas no método PBL. Ao que o professor rematou:
— Ainda bem que a forma como pensas está alinhada com o conceito do PBL!
E eu que ainda não estava por dentro do PBL…
Este é o nome de uma das cadeiras que escolhi para o segundo bloco e não podia ter começado de forma mais estranha. Ao chegar à sala já lá estavam praticamente todos (deve ser influência do horário luso) e pairava um silêncio sepulcral na sala. Ouvia-se o silêncio!
Ninguém falava com ninguém. Percebia-se que estavam todos sós no meio de um grupo, mas nem o mínimo de conversação foi tentada sequer.
Para ultrapassar este problema, no Block Book, para quem o tinha (quando o professor se referiu a uma parte do Block Book assumindo que já todos tinham lido, uma rapariga olha para mim e eu para ela no sentido em que era a nós que ele se referia, visto não termos o dito Block Book), havia uma tarefa que consistia em cada um se apresentar. Foi precisa esta “tarefa” um tanto ou quanto pouco adequada ao nome de tarefa para quebrar o gelo na turma. Mesmo assim, no intervalo voltou o estranho silêncio fúnebre…
O professor em vez de ajudar nisso, como não tem experiência de ensino, visto que acabou os estudos há pouco tempo, ainda agravava mais o impasse. Um professor francês que veio para a Holanda para dar aulas em inglês.
Para além disso, esta foi a minha primeira aula desde que aqui estou em Maastricht que funciona na base do aqui famoso PBL: problem based learning, ou o aprender por nós próprios a partir da discussão de problemas.
Foi distribuída uma lista com nomes por ordem alfabética e uma data para cada um deles, que lembrava quem é que seria o discussion leader em cada aula. Eu era o segundo da lista: De Sousa Marques! (Porquê o “de”?!). Então tinha uma oportunidade de ver o que era suposto o “líder da discussão” fazer enquanto enquadrado neste sistema de PBL.
Porém, eis que surge o factor de mudança: o primeiro da lista não estava presente!
— Gonçalo, não se importa de ser o discussion leader?
Ora então que seja! Faço o melhor que posso. E então eu dizia que devíamos fazer coisas que já era suposto serem feitas no método PBL. Ao que o professor rematou:
— Ainda bem que a forma como pensas está alinhada com o conceito do PBL!
E eu que ainda não estava por dentro do PBL…
quarta-feira, outubro 29, 2003
Halloween
Como o principal dia de festa em Maastricht é a terça-feira, adiantou-se o Halloween que seria apenas na sexta-feira para ontem. Então viam-se por todo o lado diabos sem cauda, anjos sem auréola, dráculas com sangue falso, abelhas brancas, tudo era permitido e quanto mais esquisito melhor. E estava tudo doido… muito doido mesmo!
Nós, portugueses, abstendo-nos a princípio do que se passava no corredor (era difícil, pois de vez em quando lá entravam pelo quarto multiusos adentro), fizemos um jantar numa espécie de agradecimento dos membros tugas do edifício C aos do P. A juntar-se à festa esteve a Alexandra, a nova portuguesa aqui em Maastricht, que ficou bastante tocada pelo jantar!
Depois dos comes e bebes tudo estava eléctrico e muitas fotografias e vídeos engraçados ficaram para recordar mais tarde… Desde cantar de forma a chamar os vizinhos de corredor a fazer lançamentos de cadeiras tripuladas, passando por jogar à bola dentro do quarto, só não viu quem, estando cá, não quis.
Foi um dia das bruxas passado principalmente no quarto (ou devo dizer corredor para incluir a casa-de-banho?) e nem por isso menos alegre!
Como o principal dia de festa em Maastricht é a terça-feira, adiantou-se o Halloween que seria apenas na sexta-feira para ontem. Então viam-se por todo o lado diabos sem cauda, anjos sem auréola, dráculas com sangue falso, abelhas brancas, tudo era permitido e quanto mais esquisito melhor. E estava tudo doido… muito doido mesmo!
Nós, portugueses, abstendo-nos a princípio do que se passava no corredor (era difícil, pois de vez em quando lá entravam pelo quarto multiusos adentro), fizemos um jantar numa espécie de agradecimento dos membros tugas do edifício C aos do P. A juntar-se à festa esteve a Alexandra, a nova portuguesa aqui em Maastricht, que ficou bastante tocada pelo jantar!
Depois dos comes e bebes tudo estava eléctrico e muitas fotografias e vídeos engraçados ficaram para recordar mais tarde… Desde cantar de forma a chamar os vizinhos de corredor a fazer lançamentos de cadeiras tripuladas, passando por jogar à bola dentro do quarto, só não viu quem, estando cá, não quis.
Foi um dia das bruxas passado principalmente no quarto (ou devo dizer corredor para incluir a casa-de-banho?) e nem por isso menos alegre!
Paris
No fim-de-semana passado, depois de uma semana de exames, fui a Paris com amigos e em casa de amigos fiquei. Para além de ficar mais barato, é sempre mais divertido e interessante.
A viagem foi feita de comboio até Bruxelas e de autocarro daí até ao destino final. Tudo estava a correr bem com os comboios, tudo a tempo e horas: normal. Ao chegarmos à gare dos autocarros com os bilhetes reservados à vários dias com medo de ficarmos sem lugares vemos algumas pessoas a comprar o bilhete internacional faltavam 15 minutos para o autocarro partir. Fez lembrar Portugal… até porque um dos empregados era de lá.
Depois foi a chegada/partida do autocarro para onde íamos. Chegou atrasado, atrasado partiu. E o condutor bastante antipático para os passeiros, com voz ríspida insultava até quem era a razão do seu trabalho: pessoas. “Quem é que disse para mexer aí? É o meu autocarro, eu é que mexo!” Nem as crianças são tão infantis!
Ao chegarmos à gare em Paris qual não foi o espanto ao ver inúmeras pequenas bandeiras portuguesas por todo lado numa espécie de enfeite de arraial popular. Parecia feito para nós, mas não (não se lembram, claro), era o fim-de-semana português naquela estação onde haviam fotografias típicas espalhadas pela estação…
Como tínhamos, apesar de tudo, pouco tempo para ver o muito que Paris nos oferecia, tínhamos de escolher bem e depressa e passar por cada monumento ou ponto de interesse quase como um gato passa por cima das brasas.
Então, vimos o alinhamento dos três arcos: o do triunfo, o da La Defense e o do Carrousel, no Louvre, do qual vimos os jardins, a pirâmide e a envolvência; a torre Eiffel que nada tem a ver com Paris senão o facto de ter sido lá construída, as ilhas no Sena com a catedral Notre Damme e na ponte que liga as duas ilhas um grupo de músicos já com a sua idade a dar um espectáculo monumental a quem por ali passava; a Ópera antiga com nomes de compositores no friso da fachada; a Place des Vosges e a casa do Vítor Hugo a um canto; o Sacre Cœur e a vista do alto do monte; o Moulin Rouge e a vista do mais baixo da sociedade; passeámo-nos pelos Campos Elísios de uma ponta à outra e de barco no Sena…
O Pedro está mesmo encantado com o modo de vida francês e até já tem o chapéu típico! Alertou-nos para a frieza e quase que desprezo dos franceses pelos não francófonos, mas pudemos ver pelo menos um exemplo curioso que o contradizia, pêro do cemitério dos famosos, em Pére Lachaise, onde um homem perto do estereótipo do francês vendia pão ao domingo no meio da rua de uma maneira encantadora!
Muito ficou certamente por ver, principalmente o ambiente e o modo de viver dos franceses a que fomos aludidos por aquilo que nos dizia o Pedro, o Ricardo e a Ana Filipa que nos receberam de braços abertos no seu apartamento. Aqui em Maastricht estamos sempre prontos a receber quem cá queira vir!…
No fim-de-semana passado, depois de uma semana de exames, fui a Paris com amigos e em casa de amigos fiquei. Para além de ficar mais barato, é sempre mais divertido e interessante.
A viagem foi feita de comboio até Bruxelas e de autocarro daí até ao destino final. Tudo estava a correr bem com os comboios, tudo a tempo e horas: normal. Ao chegarmos à gare dos autocarros com os bilhetes reservados à vários dias com medo de ficarmos sem lugares vemos algumas pessoas a comprar o bilhete internacional faltavam 15 minutos para o autocarro partir. Fez lembrar Portugal… até porque um dos empregados era de lá.
Depois foi a chegada/partida do autocarro para onde íamos. Chegou atrasado, atrasado partiu. E o condutor bastante antipático para os passeiros, com voz ríspida insultava até quem era a razão do seu trabalho: pessoas. “Quem é que disse para mexer aí? É o meu autocarro, eu é que mexo!” Nem as crianças são tão infantis!
Ao chegarmos à gare em Paris qual não foi o espanto ao ver inúmeras pequenas bandeiras portuguesas por todo lado numa espécie de enfeite de arraial popular. Parecia feito para nós, mas não (não se lembram, claro), era o fim-de-semana português naquela estação onde haviam fotografias típicas espalhadas pela estação…
Como tínhamos, apesar de tudo, pouco tempo para ver o muito que Paris nos oferecia, tínhamos de escolher bem e depressa e passar por cada monumento ou ponto de interesse quase como um gato passa por cima das brasas.
Então, vimos o alinhamento dos três arcos: o do triunfo, o da La Defense e o do Carrousel, no Louvre, do qual vimos os jardins, a pirâmide e a envolvência; a torre Eiffel que nada tem a ver com Paris senão o facto de ter sido lá construída, as ilhas no Sena com a catedral Notre Damme e na ponte que liga as duas ilhas um grupo de músicos já com a sua idade a dar um espectáculo monumental a quem por ali passava; a Ópera antiga com nomes de compositores no friso da fachada; a Place des Vosges e a casa do Vítor Hugo a um canto; o Sacre Cœur e a vista do alto do monte; o Moulin Rouge e a vista do mais baixo da sociedade; passeámo-nos pelos Campos Elísios de uma ponta à outra e de barco no Sena…
O Pedro está mesmo encantado com o modo de vida francês e até já tem o chapéu típico! Alertou-nos para a frieza e quase que desprezo dos franceses pelos não francófonos, mas pudemos ver pelo menos um exemplo curioso que o contradizia, pêro do cemitério dos famosos, em Pére Lachaise, onde um homem perto do estereótipo do francês vendia pão ao domingo no meio da rua de uma maneira encantadora!
Muito ficou certamente por ver, principalmente o ambiente e o modo de viver dos franceses a que fomos aludidos por aquilo que nos dizia o Pedro, o Ricardo e a Ana Filipa que nos receberam de braços abertos no seu apartamento. Aqui em Maastricht estamos sempre prontos a receber quem cá queira vir!…
quinta-feira, outubro 16, 2003
Lusomania
Desde que chegámos, leia-se desde que os portugueses da Nova em Erasmus em Maastricht chegaram, que demos nas vistas. A boa disposição é uma constante no seio luso e pelos vistos bem considerada pelos holandeses do ESN.
Na primeira semana, a de introdução, com actividades preparadas pelo ESN, os “tugas” (que andam quase sempre juntos) ficaram a ser conhecidos por serem quase tão rápidos como os holandeses… Ao fim da semana, eles já eram para nós como amigos de longa data, com quem gostávamos de estar.
Seguiu-se uma monumental jantarada com todos os “tugas” e todos os do ESN, onde o arroz com todos fez mesmo a delícia de quantos o comeram. Mais do que o jantar em si, contou mais a forma de integração na cultura holandesa da melhor forma: através da amizade junto das pessoas de cá.
Ontem foi a retribuição. Foi a vez de os holandeses nos mostrarem a sua cozinha típica, num jantar que envolveu mais uma vez os mesmos do parágrafo anterior, apesar de algumas pessoas terem aparecido em detrimento de outras.
Prepararam-nos uma sopa com ervilhas, salsichas e mais qualquer coisa que não sei precisar, mas que estava absolutamente deliciosa. Era mesmo de comer e chorar por mais! Panquecas com coberturas várias e uma espécie de leite-creme fizeram o resto do jantar. Mais uma vez a animação estava expressa no sorriso generoso de cada um de nós.
Com tanta interacção portugueses-holandeses, qualquer coisa devia ficar registada. Para além das fotografias infindáveis, para a realização do jornal “The Bable”, do ESN de Maastricht, pediram-nos um artigo. E este texto escrito pelo Daniel, subscrito por todos os outros, acompanhado por fotografias de portugueses e algo do género: festa é com os portugueses, valeram-nos congratulações por aparecermos destacados no jornal.
Isto mostra bem as boas relações luso-holandesas que se têm desenvolvido naturalmente. Por várias vezes os membros do ESN ao encontrarem algum de nós abandonam com quem quer que estavam para nos virem cumprimentar, com os tradicionais três beijos, se for uma rapariga, claro!
Acho que isto diz muito…
Desde que chegámos, leia-se desde que os portugueses da Nova em Erasmus em Maastricht chegaram, que demos nas vistas. A boa disposição é uma constante no seio luso e pelos vistos bem considerada pelos holandeses do ESN.
Na primeira semana, a de introdução, com actividades preparadas pelo ESN, os “tugas” (que andam quase sempre juntos) ficaram a ser conhecidos por serem quase tão rápidos como os holandeses… Ao fim da semana, eles já eram para nós como amigos de longa data, com quem gostávamos de estar.
Seguiu-se uma monumental jantarada com todos os “tugas” e todos os do ESN, onde o arroz com todos fez mesmo a delícia de quantos o comeram. Mais do que o jantar em si, contou mais a forma de integração na cultura holandesa da melhor forma: através da amizade junto das pessoas de cá.
Ontem foi a retribuição. Foi a vez de os holandeses nos mostrarem a sua cozinha típica, num jantar que envolveu mais uma vez os mesmos do parágrafo anterior, apesar de algumas pessoas terem aparecido em detrimento de outras.
Prepararam-nos uma sopa com ervilhas, salsichas e mais qualquer coisa que não sei precisar, mas que estava absolutamente deliciosa. Era mesmo de comer e chorar por mais! Panquecas com coberturas várias e uma espécie de leite-creme fizeram o resto do jantar. Mais uma vez a animação estava expressa no sorriso generoso de cada um de nós.
Com tanta interacção portugueses-holandeses, qualquer coisa devia ficar registada. Para além das fotografias infindáveis, para a realização do jornal “The Bable”, do ESN de Maastricht, pediram-nos um artigo. E este texto escrito pelo Daniel, subscrito por todos os outros, acompanhado por fotografias de portugueses e algo do género: festa é com os portugueses, valeram-nos congratulações por aparecermos destacados no jornal.
Isto mostra bem as boas relações luso-holandesas que se têm desenvolvido naturalmente. Por várias vezes os membros do ESN ao encontrarem algum de nós abandonam com quem quer que estavam para nos virem cumprimentar, com os tradicionais três beijos, se for uma rapariga, claro!
Acho que isto diz muito…
Parabéns Querido!
Ao contrário do que poderá pensar, trata-se da congratulação pelo vigésimo primeiro aniversário da Ana Querido de Figueiredo, uma portuguesa que decidiu estudar fora e calhou aqui, em Maastricht.
O tempo é implacável para com todos e ela não foi excepção. Segunda-feira, o seu dia de anos, fez-se uma pequena festa, cantando-se os parabéns e entregando-se-lhe algumas prendas. É muito prendada esta moça.
Mas terça, contudo, fez-se um jantar a valer, para todos os portugueses em Erasmus e os dois brasileiros que aqui conhecemos na mesma situação. No edifício C, a cozinha comum, estava entregue a falantes da língua portuguesa. A sangria e os tachos de massa, apesar do esforço verdadeiro, não conseguiram ficar vazios.
Não nos querendo limitar às quatro paredes que constituem o edifício C, saímos um bocado à rua, por que dia não são dias. Então fomos ao bar mais popular entre os Erasmus onde frequentemente, principalmente às terças-feiras, encontramos os holandeses do ESN. Ao verem-nos, de pronto abandonaram o que estavam a fazer para virem ter connosco por um bocado e dar os parabéns à aniversariante.
Aquela noite fria de terça-feira passou-se muito bem aquecendo-nos com o festivo calor humano de aniversário… Muitos Parabéns!
Ao contrário do que poderá pensar, trata-se da congratulação pelo vigésimo primeiro aniversário da Ana Querido de Figueiredo, uma portuguesa que decidiu estudar fora e calhou aqui, em Maastricht.
O tempo é implacável para com todos e ela não foi excepção. Segunda-feira, o seu dia de anos, fez-se uma pequena festa, cantando-se os parabéns e entregando-se-lhe algumas prendas. É muito prendada esta moça.
Mas terça, contudo, fez-se um jantar a valer, para todos os portugueses em Erasmus e os dois brasileiros que aqui conhecemos na mesma situação. No edifício C, a cozinha comum, estava entregue a falantes da língua portuguesa. A sangria e os tachos de massa, apesar do esforço verdadeiro, não conseguiram ficar vazios.
Não nos querendo limitar às quatro paredes que constituem o edifício C, saímos um bocado à rua, por que dia não são dias. Então fomos ao bar mais popular entre os Erasmus onde frequentemente, principalmente às terças-feiras, encontramos os holandeses do ESN. Ao verem-nos, de pronto abandonaram o que estavam a fazer para virem ter connosco por um bocado e dar os parabéns à aniversariante.
Aquela noite fria de terça-feira passou-se muito bem aquecendo-nos com o festivo calor humano de aniversário… Muitos Parabéns!
terça-feira, outubro 14, 2003
"Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido."
Almada Negreiros
Por vezes penso sobre o tempo e a forma como o aproveitamos. Se tentarmos contar as horas que passamos com os nossos amigos que envolvem trocas de ideias ou experiências, isto é, excluindo o habitual bom-dia e boa-tarde e outros modos de interacção mais quotidianos, esse tempo é reduzido.
Neste sentido as experiências em grupo marcam-nos indelevelmente. Quando estamos com pessoas de que gostamos o tempo passa num ápice, mas inúmeras experiências memoráveis acontecem.
A experiência de estudar noutro país estando integrado numa comitiva portuguesa fenomenal é prova disso. Só pelas inúmeras fotografias que já se tiraram mostrando caras alegres (ninguém tira fotografias a coisas de que não se quer lembrar) já se pode ver quão boa tem sido esta experiência em grupo. Mas o tempo passa num ápice e a estadia já vai a meio.
Com estes pensamentos acorre-me à mente a frase de ouro do filme “O Clube dos Poetas Mortos” proferida pelo professor na pele de Robin Williams: carpe diem, aproveitem cada dia como se fosse o último, tornem as vossas vidas maravilhosas!
Almada Negreiros
Por vezes penso sobre o tempo e a forma como o aproveitamos. Se tentarmos contar as horas que passamos com os nossos amigos que envolvem trocas de ideias ou experiências, isto é, excluindo o habitual bom-dia e boa-tarde e outros modos de interacção mais quotidianos, esse tempo é reduzido.
Neste sentido as experiências em grupo marcam-nos indelevelmente. Quando estamos com pessoas de que gostamos o tempo passa num ápice, mas inúmeras experiências memoráveis acontecem.
A experiência de estudar noutro país estando integrado numa comitiva portuguesa fenomenal é prova disso. Só pelas inúmeras fotografias que já se tiraram mostrando caras alegres (ninguém tira fotografias a coisas de que não se quer lembrar) já se pode ver quão boa tem sido esta experiência em grupo. Mas o tempo passa num ápice e a estadia já vai a meio.
Com estes pensamentos acorre-me à mente a frase de ouro do filme “O Clube dos Poetas Mortos” proferida pelo professor na pele de Robin Williams: carpe diem, aproveitem cada dia como se fosse o último, tornem as vossas vidas maravilhosas!
domingo, outubro 12, 2003
Bruxelas
Mais uma vez a Bélgica foi o destino de fim-de-semana. Desta vez para ir à capital ver o que ela tinha para oferecer. Mas como as coisas estavam bastantes dispersas umas das outras, andar de autocarro turístico com explicações em português foi a escolha que pareceu mais acertada, quase impingida à saída da estação dos comboios.
A cada passageiro, que para o ser tinha de pagar, caso fosse estudante, €10,50, eram oferecidos uns auriculares para ouvir as explicações nos interstícios da música. Disse qual era o código para se ouvir a explicação em português, mas isso variava de autocarro para autocarro. Quando entrávamos num depois de termos saído doutro para ver a paisagem e alguns monumentos (pois o bilhete dá para todo o dia, deixando sair num e entrar noutro), tínhamos de procurar o “canal” da língua portuguesa.
Uma restrição que se impôs ao grupo de portugueses em Maastricht que quis ir a Bruxelas foi o tempo (para não falar de dinheiro). A ideia era passar lá a noite, pois havia bastantes coisas que mereciam ser vistas, mas ao não encontrarmos quartos livres nas pousadas, decidiu-se ir lá só o Sábado. Assim fomos num dos primeiros comboios do dia (incluindo ginástica matinal: ir a pé até à estação de comboios) e viemos num dos últimos.
Então o que é que Bruxelas tinha para oferecer? O Atómio a que não subimos, a mini-Europa que nem vimos pequena nem grande, edifícios das instituições europeias vistas por fora, o menino a fazer xi-xi sempre sem parar, a praça central iluminada com vacas a pastar, mais de quatrocentas marcas de cerveja (por provar), uma sinagoga guardada por polícias armados até aos dentes, a vista sobre a cidade no meio das gruas…
Apesar de tudo, foi uma cidade interessante de se visitar, mas que merecia mais atenção e tempo para ser vista com cuidado e não um bocado a correr como aconteceu. Foi pena não termos conseguido alojamento para admirarmos o que vimos com mais calma e ver o que não vimos mas gostaríamos.
Mais uma vez a Bélgica foi o destino de fim-de-semana. Desta vez para ir à capital ver o que ela tinha para oferecer. Mas como as coisas estavam bastantes dispersas umas das outras, andar de autocarro turístico com explicações em português foi a escolha que pareceu mais acertada, quase impingida à saída da estação dos comboios.
A cada passageiro, que para o ser tinha de pagar, caso fosse estudante, €10,50, eram oferecidos uns auriculares para ouvir as explicações nos interstícios da música. Disse qual era o código para se ouvir a explicação em português, mas isso variava de autocarro para autocarro. Quando entrávamos num depois de termos saído doutro para ver a paisagem e alguns monumentos (pois o bilhete dá para todo o dia, deixando sair num e entrar noutro), tínhamos de procurar o “canal” da língua portuguesa.
Uma restrição que se impôs ao grupo de portugueses em Maastricht que quis ir a Bruxelas foi o tempo (para não falar de dinheiro). A ideia era passar lá a noite, pois havia bastantes coisas que mereciam ser vistas, mas ao não encontrarmos quartos livres nas pousadas, decidiu-se ir lá só o Sábado. Assim fomos num dos primeiros comboios do dia (incluindo ginástica matinal: ir a pé até à estação de comboios) e viemos num dos últimos.
Então o que é que Bruxelas tinha para oferecer? O Atómio a que não subimos, a mini-Europa que nem vimos pequena nem grande, edifícios das instituições europeias vistas por fora, o menino a fazer xi-xi sempre sem parar, a praça central iluminada com vacas a pastar, mais de quatrocentas marcas de cerveja (por provar), uma sinagoga guardada por polícias armados até aos dentes, a vista sobre a cidade no meio das gruas…
Apesar de tudo, foi uma cidade interessante de se visitar, mas que merecia mais atenção e tempo para ser vista com cuidado e não um bocado a correr como aconteceu. Foi pena não termos conseguido alojamento para admirarmos o que vimos com mais calma e ver o que não vimos mas gostaríamos.
Jantar do João
O João Gravito é um dos Portugueses que estuda na Nova em Lisboa e que está agora em Erasmus em Maastricht. Ele tem a particularidade de se estar sempre a rir e, por isso, quem o conhece melhor trata-o por Cocas. Porém, o João tem uma coisa que o afasta dos outros portugueses que agora estão em Maastricht: o local da residência que escolheu para ficar.
Assim, para colmatar esta distância (até o rio nos separa!) o João resolveu organizar um jantar com os portugueses seus colegas de Universidade e da aventura Erasmus, para estarmos todos juntos e conhecermos a casa.
A feijoada, quatro tachos dela, o português a impor-se sobre o inglês, apesar de haverem algumas pessoas que não falavam português, e as fotografias ficaram a marcar este jantar lá longe, do outro lado do rio. E tão contente que estava o João…
O João Gravito é um dos Portugueses que estuda na Nova em Lisboa e que está agora em Erasmus em Maastricht. Ele tem a particularidade de se estar sempre a rir e, por isso, quem o conhece melhor trata-o por Cocas. Porém, o João tem uma coisa que o afasta dos outros portugueses que agora estão em Maastricht: o local da residência que escolheu para ficar.
Assim, para colmatar esta distância (até o rio nos separa!) o João resolveu organizar um jantar com os portugueses seus colegas de Universidade e da aventura Erasmus, para estarmos todos juntos e conhecermos a casa.
A feijoada, quatro tachos dela, o português a impor-se sobre o inglês, apesar de haverem algumas pessoas que não falavam português, e as fotografias ficaram a marcar este jantar lá longe, do outro lado do rio. E tão contente que estava o João…
quinta-feira, outubro 09, 2003
Quarto multiusos
Do edifício P da residência “GuestHouse”, o quarto número 6 no rés-do-chão do bloco 3, isto é, o quarto P3-00-06, consta na lista dos mais espaçosos. Como tal, dá para organizar eventos interessantes, já com um número considerável de pessoas.
O mais comum é o almoço ou jantar do dia-a-dia, em que pelo Messenger se convidam outros portugueses para almoçarmos ou jantarmos juntos, mas sem cerimónias.
Há jantares mais elaborados, para um maior número de convivas, que requer maior preparação com o confeccionado e com o layout da sala. São precisos mais pratos, talheres, copos, cadeiras, sei lá. Depois fica uma mesa comprida, com uma cama de cada lado a fazer de banco, tentando as pessoas distribuir-se pela mesa, ficando os extremos consideravelmente afastados um do outro dada a dimensão da mesa. Até se torna difícil para fazer um brinde!
Desde o jantar de “agradecimento” dos portugueses em Maastricht ao ESN pela forma como nos recebeu e pelo ambiente formidável que ajudaram a criar entre os estudantes Erasmus, até festas de aniversário, passando por jantares com todos os portugueses, o convívio tem lugar neste espaço.
Ou então algo mais sonolento como ver um filme. Com a cama a fazer de sofá, com o computador a jeito para que todos vejam, e estando confortavelmente instalados lá se começa a sessão. Apesar de a sessão ser gratuita, ainda há direito a beber um chá com uns bolinhos a acompanhar… E mesmo assim há quem no final diga que não gostou!
Do edifício P da residência “GuestHouse”, o quarto número 6 no rés-do-chão do bloco 3, isto é, o quarto P3-00-06, consta na lista dos mais espaçosos. Como tal, dá para organizar eventos interessantes, já com um número considerável de pessoas.
O mais comum é o almoço ou jantar do dia-a-dia, em que pelo Messenger se convidam outros portugueses para almoçarmos ou jantarmos juntos, mas sem cerimónias.
Há jantares mais elaborados, para um maior número de convivas, que requer maior preparação com o confeccionado e com o layout da sala. São precisos mais pratos, talheres, copos, cadeiras, sei lá. Depois fica uma mesa comprida, com uma cama de cada lado a fazer de banco, tentando as pessoas distribuir-se pela mesa, ficando os extremos consideravelmente afastados um do outro dada a dimensão da mesa. Até se torna difícil para fazer um brinde!
Desde o jantar de “agradecimento” dos portugueses em Maastricht ao ESN pela forma como nos recebeu e pelo ambiente formidável que ajudaram a criar entre os estudantes Erasmus, até festas de aniversário, passando por jantares com todos os portugueses, o convívio tem lugar neste espaço.
Ou então algo mais sonolento como ver um filme. Com a cama a fazer de sofá, com o computador a jeito para que todos vejam, e estando confortavelmente instalados lá se começa a sessão. Apesar de a sessão ser gratuita, ainda há direito a beber um chá com uns bolinhos a acompanhar… E mesmo assim há quem no final diga que não gostou!
terça-feira, outubro 07, 2003
Tempo
Pela janela do quarto riscada de gotas de chuva vejo as nuvens por camadas a deslocarem-se a velocidade estonteante. O sol está atrás delas e já há alguns dias que mesmo quando nos dá um ar da sua graça, não se sente o seu calor. Chegou o frio a Maastricht!
As luvas vão começar já a andar nas mãos e o cachecol a aconchegar o pescoço como num abraço, para não ser apanhado por uma qualquer constipação que me deixe aí horizontal e impaciente na cama.
Cedo avisou quem é de cá ou a este tempo está mais habituado que o sol que iluminava os dias de Setembro não era normal. Em vez disso deveria já estar a chover e a fazer frio. Agora cumpre-se a profecia.
Logo agora que estava a gostar do tempo que convidava a passear!…
Pela janela do quarto riscada de gotas de chuva vejo as nuvens por camadas a deslocarem-se a velocidade estonteante. O sol está atrás delas e já há alguns dias que mesmo quando nos dá um ar da sua graça, não se sente o seu calor. Chegou o frio a Maastricht!
As luvas vão começar já a andar nas mãos e o cachecol a aconchegar o pescoço como num abraço, para não ser apanhado por uma qualquer constipação que me deixe aí horizontal e impaciente na cama.
Cedo avisou quem é de cá ou a este tempo está mais habituado que o sol que iluminava os dias de Setembro não era normal. Em vez disso deveria já estar a chover e a fazer frio. Agora cumpre-se a profecia.
Logo agora que estava a gostar do tempo que convidava a passear!…
segunda-feira, outubro 06, 2003
Bona
Depois de Sábado termos andado pelo Luxemburgo, no Domingo não podíamos deixar o carro que fora alugado para o fim-de-semana parado no parque de estacionamento à chuva e sem a oportunidade de fazer a rodagem. Mas a indecisão consoante ao destino permaneceu até à última hora.
Finalmente lá nos decidimos a ir a Bona, na Alemanha, que ficava a uns quilómetros do fim do mapa que tínhamos. Sem receio nos pusemos a caminho… ou a tentar descobri-lo.
As auto-estradas alemãs têm a particularidade de não terem limite de velocidade. Apenas recomendam não ultrapassar os 130 Km por hora. Para nós não era grande sacrifício, dado o “possante” carro onde viajávamos. Porém, para que não nos sentíssemos inferiorizados, haviam com uma regularidade aborrecedora obras na via que obrigavam a circular a menos de 60 à hora!
Bona estava em festa. Naquele preciso dia em que lá fomos as avenidas, as ruas, as praças, as travessas, os becos, tinham animação. Queríamos tirar uma fotografia a um qualquer monumento e havia um palco, uma parede de escalada ou uma tenda de assar salsichas pela frente.
Para ultrapassar essa situação visitámos a casa onde nasceu o Beethoven, onde não deixavam tirar fotografias. A visita foi guiada por nós próprios com o auxílio de um panfleto. O mais interessante da casa eram as coisas que não faziam parte da mesma, como os pianos, as partituras, a viola, as anotações, a maior parte vinda de Viena, onde passou toda a sua vida desde que foi para lá estudar música com Joseph Haydn.
A imponência da universidade e do jardim adjacente incentivou as fotografias e a desinibição. Desde fotografias automáticas até fingir que se jogava à bola, passando por atirar bolotas uns aos outros ou assustar um bando de pombos, de tudo ali se viu naquele imenso verde citadino, protagonizado pelo mesmo pequeno grupo.
Contudo a cidade pareceu-me pequena para capital da antiga RFA.
Depois de Sábado termos andado pelo Luxemburgo, no Domingo não podíamos deixar o carro que fora alugado para o fim-de-semana parado no parque de estacionamento à chuva e sem a oportunidade de fazer a rodagem. Mas a indecisão consoante ao destino permaneceu até à última hora.
Finalmente lá nos decidimos a ir a Bona, na Alemanha, que ficava a uns quilómetros do fim do mapa que tínhamos. Sem receio nos pusemos a caminho… ou a tentar descobri-lo.
As auto-estradas alemãs têm a particularidade de não terem limite de velocidade. Apenas recomendam não ultrapassar os 130 Km por hora. Para nós não era grande sacrifício, dado o “possante” carro onde viajávamos. Porém, para que não nos sentíssemos inferiorizados, haviam com uma regularidade aborrecedora obras na via que obrigavam a circular a menos de 60 à hora!
Bona estava em festa. Naquele preciso dia em que lá fomos as avenidas, as ruas, as praças, as travessas, os becos, tinham animação. Queríamos tirar uma fotografia a um qualquer monumento e havia um palco, uma parede de escalada ou uma tenda de assar salsichas pela frente.
Para ultrapassar essa situação visitámos a casa onde nasceu o Beethoven, onde não deixavam tirar fotografias. A visita foi guiada por nós próprios com o auxílio de um panfleto. O mais interessante da casa eram as coisas que não faziam parte da mesma, como os pianos, as partituras, a viola, as anotações, a maior parte vinda de Viena, onde passou toda a sua vida desde que foi para lá estudar música com Joseph Haydn.
A imponência da universidade e do jardim adjacente incentivou as fotografias e a desinibição. Desde fotografias automáticas até fingir que se jogava à bola, passando por atirar bolotas uns aos outros ou assustar um bando de pombos, de tudo ali se viu naquele imenso verde citadino, protagonizado pelo mesmo pequeno grupo.
Contudo a cidade pareceu-me pequena para capital da antiga RFA.
domingo, outubro 05, 2003
Luxemburgo
Qual será a melhor maneira de passear até ao Luxemburgo sem gastar muito dinheiro? Foi o que nos perguntámos enquanto se navegava de página em página na Internet. De carro foi o que se confirmou com algumas conversas ser o mais em conta.
O bólide, de cor preta e linhas aero-anti-dinâmicas, com apenas 919Km no cadastro, foi a escolha óbvia. Opel Agila, pois claro… era o mais barato!
Como atracções principais no centro da cidade de Luxemburgo tínhamos para ver alguns monumentos, as paisagens verdejantes e pontes. Depois de um mês em Maastricht, pudemos presenciar um relevo um pouco mais acidentado, chegando mesmo ao exagero, com inclinações de 7%.
Cedo nos demos conta do quão português é Luxemburgo, ao passarmos pela Caixa Geral de Depósitos ou pelo BCP. Ao comprar uns postais, pagámos em português! A simples conversação aquando do pagamento (dizer preço, dar nota, receber troco) foi como se estivéssemos em Portugal.
E melhor foi o almoço… no “Bodega”. Um caldo verde, um franguinho e uma bica para matar saudades.
O resto foi paisagem, porque foi mesmo. E nem por isso menos interessante. Pelo menos enquanto o sol no-la deixava ver.
Tirámos uma fotografia rara: à fronteira entre o Luxemburgo e a Bélgica. É que pelos vistos nestas paragens é moda tornar as fronteiras imperceptíveis. Ou é para nos sentirmos mais integrados, como se fosse tudo um só, ou é para os condutores irem com atenção… e reduzirem a velocidade à procura da placa de mudança de país. Se a quiserem ver, claro.
Qual será a melhor maneira de passear até ao Luxemburgo sem gastar muito dinheiro? Foi o que nos perguntámos enquanto se navegava de página em página na Internet. De carro foi o que se confirmou com algumas conversas ser o mais em conta.
O bólide, de cor preta e linhas aero-anti-dinâmicas, com apenas 919Km no cadastro, foi a escolha óbvia. Opel Agila, pois claro… era o mais barato!
Como atracções principais no centro da cidade de Luxemburgo tínhamos para ver alguns monumentos, as paisagens verdejantes e pontes. Depois de um mês em Maastricht, pudemos presenciar um relevo um pouco mais acidentado, chegando mesmo ao exagero, com inclinações de 7%.
Cedo nos demos conta do quão português é Luxemburgo, ao passarmos pela Caixa Geral de Depósitos ou pelo BCP. Ao comprar uns postais, pagámos em português! A simples conversação aquando do pagamento (dizer preço, dar nota, receber troco) foi como se estivéssemos em Portugal.
E melhor foi o almoço… no “Bodega”. Um caldo verde, um franguinho e uma bica para matar saudades.
O resto foi paisagem, porque foi mesmo. E nem por isso menos interessante. Pelo menos enquanto o sol no-la deixava ver.
Tirámos uma fotografia rara: à fronteira entre o Luxemburgo e a Bélgica. É que pelos vistos nestas paragens é moda tornar as fronteiras imperceptíveis. Ou é para nos sentirmos mais integrados, como se fosse tudo um só, ou é para os condutores irem com atenção… e reduzirem a velocidade à procura da placa de mudança de país. Se a quiserem ver, claro.
quarta-feira, outubro 01, 2003
Espontaneidade
O bom português, aquele que se preza de o ser, é espontâneo. Age por impulso, quase sem pensar, numa atitude descontraidamente natural que até se torna estranha para quem é de fora.
Seja para organizar qualquer tipo de actividade, seja (neste caso é mais notório) para pagar os impostos, o comportamento luso leva a que a data só comece a preocupar quando está já irremediavelmente próxima.
Tudo se faz do pé para a mão; ou em cima do joelho, que fica a meio! E depois as coisas não produzem os mesmos resultados como nos casos em que há planeamento. E depois há choro e ranger de dentes!....
O bom português, aquele que se preza de o ser, é espontâneo. Age por impulso, quase sem pensar, numa atitude descontraidamente natural que até se torna estranha para quem é de fora.
Seja para organizar qualquer tipo de actividade, seja (neste caso é mais notório) para pagar os impostos, o comportamento luso leva a que a data só comece a preocupar quando está já irremediavelmente próxima.
Tudo se faz do pé para a mão; ou em cima do joelho, que fica a meio! E depois as coisas não produzem os mesmos resultados como nos casos em que há planeamento. E depois há choro e ranger de dentes!....
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