Branca de Neve
É como tem estado Maastricht estes dias. E que espectáculo é ver a cidade coberta por um manto branco. Acordar, olhar pela janela e ver as árvores, os telhados, o chão cobertos de neve, brancos. Traz um sentimento de pureza de alma, pelo descanso da vista e a emoção dos sentidos. E ver a neve a cair como que chuva, mas devagar, sem pressa, como quem polvilha um bolo com açúcar em pó, ficando cada vez mais branco.
Olhar para o céu e fechar os olhos para sentir os flocos de neve a estatelarem-se na cara. Andar pela rua e sentir o barulho dos sapatos na neve. Sentir o frio na rua e estar no quarto de t-shirt, descontraidamente a ver passar o azul do céu sobre o branco do chão… enquanto ele dura.
quinta-feira, janeiro 29, 2004
quarta-feira, janeiro 28, 2004
Tamanho de um país
Qual é o tamanho eficiente de um país? Aristóteles, no tempo dele, havia chegado ao resultado de não mais de 5.004 chefes de família, de modo a que as pessoas se pudessem conhecer e as leis fossem mais facilmente aplicáveis aos interesses da população.
O livro “The Size of Nations” lança uma perspectiva económica sobre o assunto. Numa resposta tipicamente económica, para os autores, Alberto Alesina e Enrico Spolaore, o tamanho do país depende do trade-off entre benefícios de escala e custos de heterogeneidade. Há ainda o impacto importante da abertura ao comércio internacional: quanto maior a abertura ao comércio internacional, mais indiferente se torna o tamanho do país. Caso contrário países maiores estão em vantagem.
No entanto o livro criado para trazer mais questões que respostas.
Vi este tema na revista “The Economist”, achei-o interessante e original e foi sobre ele que fiz a minha última apresentação para o módulo que hoje acabei… finalmente!
O livro “The Size of Nations” lança uma perspectiva económica sobre o assunto. Numa resposta tipicamente económica, para os autores, Alberto Alesina e Enrico Spolaore, o tamanho do país depende do trade-off entre benefícios de escala e custos de heterogeneidade. Há ainda o impacto importante da abertura ao comércio internacional: quanto maior a abertura ao comércio internacional, mais indiferente se torna o tamanho do país. Caso contrário países maiores estão em vantagem.
No entanto o livro criado para trazer mais questões que respostas.
Vi este tema na revista “The Economist”, achei-o interessante e original e foi sobre ele que fiz a minha última apresentação para o módulo que hoje acabei… finalmente!
terça-feira, janeiro 27, 2004
Luto
É-nos difícil aceitar aquilo que não compreendemos, não gostamos ou nem queremos aceitar. O desaparecimento, a ruptura, o fim sem despedida criam em nós sentimentos dos mais humanamente incompreensíveis. A morte será sempre algo difícil de aceitar, principalmente em acontecimentos trágicos e inesperados. A emoção ao ler as notícias fez-me humedecer os olhos… e perguntar: porquê?
É-nos difícil aceitar aquilo que não compreendemos, não gostamos ou nem queremos aceitar. O desaparecimento, a ruptura, o fim sem despedida criam em nós sentimentos dos mais humanamente incompreensíveis. A morte será sempre algo difícil de aceitar, principalmente em acontecimentos trágicos e inesperados. A emoção ao ler as notícias fez-me humedecer os olhos… e perguntar: porquê?
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Crónicas de um fim-de-semana
Este, que agora passou, teve as suas particularidades e as suas monotonias. Um sábado curto, um domingo não muito alongado, que dormir também é preciso e faz crescer.
No sábado depois de acordarmos, como já não íamos a tempo do almoço em horas regulares, comemos o que por ali havia de entre o pouco comer de pequeno-almoço que restava. Tomámos banho e seguimos Maastricht abaixo.
Fomos à missa das cinco da tarde de sábado na basílica de Nossa Senhora, missa em inglês e onde encontrámos vários conhecidos daqui de Maastricht. Neste sábado foi a vez de duas raparigas de uma cadeira de Development Economics que fiz no primeiro bloco.
Para além disso, o senhor, americano, mas a trabalhar aqui perto, que se sentou ao meu lado tinha uma folha com cânticos que eu não possuía e, portanto, mostrou-ma também. E ao ensaiarmos, quando aquilo saiu bem, deu-me um toque no braço do estilo: correu bem, viste, somos mesmo bons!
Antes do jantar é costume agora vermos um filme para passar o tempo. Já que tirámos tantos pela internet rápida daqui, há que os ver. Muitas vezes temos de parar a meio para jantar, que o estômago já ronca.
Sábado comemos no quarto da Daniela, umas pizzas, com muita companhia. Por isso, no dia seguinte o frango que já devia ter sido comido teve de ir para o lixo. Em substituição fez-se um belo filete de frango com molho de cogumelos.
Agora começam a chegar as novas caras e vamo-los conhecendo e mostrando algumas fotos para lhes criar ambiente. Umas italianas estão sempre no quarto da Daniela, uma delas é a sua nova colega de quarto. Queriam bicicletas, mas estavam à espera de pechinchas e eu de fazer um bom negócio, pelo que assim é difícil o entendimento entre as partes.
Ontem para descontrair jogámos ténis, ou tentámos, pelo menos. Foi bom para fazer um pouco de exercício e desenferrujar. Aos poucos lá se apanha o gosto, que o jeito é mais difícil…
Este, que agora passou, teve as suas particularidades e as suas monotonias. Um sábado curto, um domingo não muito alongado, que dormir também é preciso e faz crescer.
No sábado depois de acordarmos, como já não íamos a tempo do almoço em horas regulares, comemos o que por ali havia de entre o pouco comer de pequeno-almoço que restava. Tomámos banho e seguimos Maastricht abaixo.
Fomos à missa das cinco da tarde de sábado na basílica de Nossa Senhora, missa em inglês e onde encontrámos vários conhecidos daqui de Maastricht. Neste sábado foi a vez de duas raparigas de uma cadeira de Development Economics que fiz no primeiro bloco.
Para além disso, o senhor, americano, mas a trabalhar aqui perto, que se sentou ao meu lado tinha uma folha com cânticos que eu não possuía e, portanto, mostrou-ma também. E ao ensaiarmos, quando aquilo saiu bem, deu-me um toque no braço do estilo: correu bem, viste, somos mesmo bons!
Antes do jantar é costume agora vermos um filme para passar o tempo. Já que tirámos tantos pela internet rápida daqui, há que os ver. Muitas vezes temos de parar a meio para jantar, que o estômago já ronca.
Sábado comemos no quarto da Daniela, umas pizzas, com muita companhia. Por isso, no dia seguinte o frango que já devia ter sido comido teve de ir para o lixo. Em substituição fez-se um belo filete de frango com molho de cogumelos.
Agora começam a chegar as novas caras e vamo-los conhecendo e mostrando algumas fotos para lhes criar ambiente. Umas italianas estão sempre no quarto da Daniela, uma delas é a sua nova colega de quarto. Queriam bicicletas, mas estavam à espera de pechinchas e eu de fazer um bom negócio, pelo que assim é difícil o entendimento entre as partes.
Ontem para descontrair jogámos ténis, ou tentámos, pelo menos. Foi bom para fazer um pouco de exercício e desenferrujar. Aos poucos lá se apanha o gosto, que o jeito é mais difícil…
domingo, janeiro 25, 2004
Neve
Já têm prometido alguma e alguma chegou agora finalmente. Não muita, mas durável, pois aguentou-se o dia todo, até o sol se pôr, uniformizando o chão de branco fofo.
Depois da aula que tive sexta-feira ao início da tarde, para aproveitar aquele dia extraordinário, fui dar uma voltinha em vez de ir directamente para casa. Pensei foi ir a casa buscar a máquina para tirar umas fotos a Maastricht esbranquiçada. E o dia nem estava muito frio; não estava vento, o que já ajudava bastante.
Então segui sem destino, de braços abertos a sentir o vento na face, e olhando amiúde para os campos brancos ou para o céu incrivelmente azul. Foi um dia revigorante!
Há dias assim. Sentimo-nos bem só por o dia estar como está: faz-nos esquecer os nossos problemas do dia-a-dia…
Já têm prometido alguma e alguma chegou agora finalmente. Não muita, mas durável, pois aguentou-se o dia todo, até o sol se pôr, uniformizando o chão de branco fofo.
Depois da aula que tive sexta-feira ao início da tarde, para aproveitar aquele dia extraordinário, fui dar uma voltinha em vez de ir directamente para casa. Pensei foi ir a casa buscar a máquina para tirar umas fotos a Maastricht esbranquiçada. E o dia nem estava muito frio; não estava vento, o que já ajudava bastante.
Então segui sem destino, de braços abertos a sentir o vento na face, e olhando amiúde para os campos brancos ou para o céu incrivelmente azul. Foi um dia revigorante!
Há dias assim. Sentimo-nos bem só por o dia estar como está: faz-nos esquecer os nossos problemas do dia-a-dia…
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Apresentando…
Como apresentar o que deve e não deve ser feito numa apresentação? Cabendo-me a mim essa tarefa, resolvi fazê-lo mostrando-o. Se as imagens valem mais que muitas palavras, então ilustrando, não precisava tanto de falar. Achei a ideia engraçada e foi assim mesmo, sem Power Point nem slides nem essas coisas que tais.
Então era uma espécie de encenação em que quando queria dizer que não se devia fazer uma apresentação sentado, sentava-me e dizia isso mesmo. E depois dizia que o correcto é estarmos de pé, levantando-me para verem como era. Deve-se falar calmamente, não mto dpressa, nem muuuiiittooo deeevagaaaarr. E a malta ria-se e eu gostava de ver…
No final, porém, lá veio a parte mais séria com um resumo, para aquilo também não parecer o circo. Acho que consegui mais ou menos o que queria. Como a apresentação era sobre um tema que já todos tinham falado (ali era só fazer a apresentação do que se discutiu nos dois semi-grupos) quem quer que fosse apresentar tinha de ser original para captar a atenção de quem estivesse, enfastiado, a ouvir aquilo que já sabia.
Antes de mim foi o rapaz que fez a apresentação sumária do que o outro semi-grupo havia concluído. Basicamente era tudo o mesmo. Então ele fez o favor de nos presentear com uns magníficos slides de Power Point que numa apresentação de 5 minutos apenas não prenderam a atenção de todos os que o ouviam até ao fim. O que eu fiz foi tentar o oposto… dizer-lhes coisas que já sabiam de maneiras que não estavam à espera!
No final veio o reconhecimento, e que bem que sabe, mesmo quando se trata da mais simples coisa que possamos ter feito. O tutor a meter-se comigo e a querer saber mais, que outras apresentações tinha feito antes, que cursos, sei lá. Até me pagou o café! Disse-me que lhe pareceu muito natural, apesar de nunca ter tido grandes experiências com apresentações nem nunca ter feito teatro. O meu grupo, no dia anterior, alertou-me para não fazer o que eu estava a pensar fazer, porque não fazia sentido e mais não sei o quê. E as caras deles no final da minha apresentação a dizerem que não podia ter sido melhor?!
E eu que estava tão nervoso… como sempre.
Como apresentar o que deve e não deve ser feito numa apresentação? Cabendo-me a mim essa tarefa, resolvi fazê-lo mostrando-o. Se as imagens valem mais que muitas palavras, então ilustrando, não precisava tanto de falar. Achei a ideia engraçada e foi assim mesmo, sem Power Point nem slides nem essas coisas que tais.
Então era uma espécie de encenação em que quando queria dizer que não se devia fazer uma apresentação sentado, sentava-me e dizia isso mesmo. E depois dizia que o correcto é estarmos de pé, levantando-me para verem como era. Deve-se falar calmamente, não mto dpressa, nem muuuiiittooo deeevagaaaarr. E a malta ria-se e eu gostava de ver…
No final, porém, lá veio a parte mais séria com um resumo, para aquilo também não parecer o circo. Acho que consegui mais ou menos o que queria. Como a apresentação era sobre um tema que já todos tinham falado (ali era só fazer a apresentação do que se discutiu nos dois semi-grupos) quem quer que fosse apresentar tinha de ser original para captar a atenção de quem estivesse, enfastiado, a ouvir aquilo que já sabia.
Antes de mim foi o rapaz que fez a apresentação sumária do que o outro semi-grupo havia concluído. Basicamente era tudo o mesmo. Então ele fez o favor de nos presentear com uns magníficos slides de Power Point que numa apresentação de 5 minutos apenas não prenderam a atenção de todos os que o ouviam até ao fim. O que eu fiz foi tentar o oposto… dizer-lhes coisas que já sabiam de maneiras que não estavam à espera!
No final veio o reconhecimento, e que bem que sabe, mesmo quando se trata da mais simples coisa que possamos ter feito. O tutor a meter-se comigo e a querer saber mais, que outras apresentações tinha feito antes, que cursos, sei lá. Até me pagou o café! Disse-me que lhe pareceu muito natural, apesar de nunca ter tido grandes experiências com apresentações nem nunca ter feito teatro. O meu grupo, no dia anterior, alertou-me para não fazer o que eu estava a pensar fazer, porque não fazia sentido e mais não sei o quê. E as caras deles no final da minha apresentação a dizerem que não podia ter sido melhor?!
E eu que estava tão nervoso… como sempre.
terça-feira, janeiro 20, 2004
Fim
Quem é que acredita em finais felizes?
Não há fim que em si seja sinal de felicidade. O fim é sinal de ruptura com o anteriormente estabelecido. Significa que acabou algo a que se estava habituado a ter como certo.
Nem nos filmes os finais felizes são felizes por si. O final feliz num filme significa apenas que ele acabou, mas é feliz porque tem continuidade. E viveram felizes para sempre ou isto ou aquilo. Então aqui, na história, não há fim, podendo a história ser feliz.
Mas se há um desfecho, morte, separação ou outra qualquer fatalidade, não poderam vir acompanhados de felicidade e júbilo. São anti-téticos. Não podem andar de mãos dadas. Não ligam, tal como o azeite não se mistura na água. Não há, portanto, fim que traga felicidade por si.
Quem é que acredita em finais felizes?
Não há fim que em si seja sinal de felicidade. O fim é sinal de ruptura com o anteriormente estabelecido. Significa que acabou algo a que se estava habituado a ter como certo.
Nem nos filmes os finais felizes são felizes por si. O final feliz num filme significa apenas que ele acabou, mas é feliz porque tem continuidade. E viveram felizes para sempre ou isto ou aquilo. Então aqui, na história, não há fim, podendo a história ser feliz.
Mas se há um desfecho, morte, separação ou outra qualquer fatalidade, não poderam vir acompanhados de felicidade e júbilo. São anti-téticos. Não podem andar de mãos dadas. Não ligam, tal como o azeite não se mistura na água. Não há, portanto, fim que traga felicidade por si.
segunda-feira, janeiro 19, 2004
Módulo
Um módulo sobre técnicas de apresentação, equivalente ao módulo da Nova sobre comunicação oral e escrita, mas com o carimbo da Universidade de Maastricht, foi o que me trouxe de volta a Maastricht. Portanto este final de mês de Janeiro vai ser passado de volta dele.
Não há muitas aulas, apenas quatro aulas práticas de duração crescente (começa numa e acaba em três horas) e uma aula teórica inicial, para explicar todo o módulo e a teoria por trás dele. No entanto assustam-nos no block book, dizendo que é suposto despender 40 horas de estudo semanais para este módulo. Acho um bocado de mais, não?
A primeira teórica foi hoje de manhã às 8:30 na Aula, sala aonde ainda não tinha estado. Isto implicou ter de me levantar cedo, depois de ter dormido mal, indo debaixo de chuva, de bicicleta, para a faculdade. Achei bastante interessante a maneira como o professor expôs o que nos queria dizer.
Também hoje comecei com as aulas práticas, com uma tarefa que era apresentar um colega da turma para o resto da turma e para uma câmara que nos filmava. Como eu sou o único estudante Erasmus naquela turma e não conhecia ninguém achei por bem seguir o conselho astuto do professor da teórica: ir à sala esperando que alguém também lá estivesse também a seguir o seu conselho de conhecer a pessoa de quem iríamos falar antes da aula.
Encontrei várias pessoas, mas uma apenas da minha turma (a sala era comum a várias turmas). A escolha foi fácil e no Mensa conheci um pouco melhor a Susanne, uma holandesa de Venlo, não muito longe de Maastricht, de 22 anos, que acabou de fazer Erasmus em Milão e adorou. Uma conversa que bastava ser de cinco minutos prolongou-se por duas boas horas, falando um pouco de história, diferenças linguística e cultural entre Portugal e a Holanda e pormenores pessoais que fazem com que nos sintamos mais à-vontade enquanto estando na companhia do nosso interlocutor.
O engraçado foi no final das apresentações p tutor apenas referir o meu nome. E eu a pensar: — O que é que vem dali agora! E ele disse que eu tenho uma pronúncia engraçada do inglês (não sei se estava a gozar comigo) e que fiz uma boa apresentação (pareci-me algo nervoso). Disse até para os outros seguirem o exemplo! Não me achei assim tão modelo do módulo!
Um módulo sobre técnicas de apresentação, equivalente ao módulo da Nova sobre comunicação oral e escrita, mas com o carimbo da Universidade de Maastricht, foi o que me trouxe de volta a Maastricht. Portanto este final de mês de Janeiro vai ser passado de volta dele.
Não há muitas aulas, apenas quatro aulas práticas de duração crescente (começa numa e acaba em três horas) e uma aula teórica inicial, para explicar todo o módulo e a teoria por trás dele. No entanto assustam-nos no block book, dizendo que é suposto despender 40 horas de estudo semanais para este módulo. Acho um bocado de mais, não?
A primeira teórica foi hoje de manhã às 8:30 na Aula, sala aonde ainda não tinha estado. Isto implicou ter de me levantar cedo, depois de ter dormido mal, indo debaixo de chuva, de bicicleta, para a faculdade. Achei bastante interessante a maneira como o professor expôs o que nos queria dizer.
Também hoje comecei com as aulas práticas, com uma tarefa que era apresentar um colega da turma para o resto da turma e para uma câmara que nos filmava. Como eu sou o único estudante Erasmus naquela turma e não conhecia ninguém achei por bem seguir o conselho astuto do professor da teórica: ir à sala esperando que alguém também lá estivesse também a seguir o seu conselho de conhecer a pessoa de quem iríamos falar antes da aula.
Encontrei várias pessoas, mas uma apenas da minha turma (a sala era comum a várias turmas). A escolha foi fácil e no Mensa conheci um pouco melhor a Susanne, uma holandesa de Venlo, não muito longe de Maastricht, de 22 anos, que acabou de fazer Erasmus em Milão e adorou. Uma conversa que bastava ser de cinco minutos prolongou-se por duas boas horas, falando um pouco de história, diferenças linguística e cultural entre Portugal e a Holanda e pormenores pessoais que fazem com que nos sintamos mais à-vontade enquanto estando na companhia do nosso interlocutor.
O engraçado foi no final das apresentações p tutor apenas referir o meu nome. E eu a pensar: — O que é que vem dali agora! E ele disse que eu tenho uma pronúncia engraçada do inglês (não sei se estava a gozar comigo) e que fiz uma boa apresentação (pareci-me algo nervoso). Disse até para os outros seguirem o exemplo! Não me achei assim tão modelo do módulo!
Tristeza
Apoderou-se de mim uma grande tristeza desesperadamente nostálgica. O facto de olhar e passar nos sítios que outrora eram local comum para uma imensa animação e são agora locais desertos, despojados de quem lhes dava essa animação, alegria e cor, causa-me uma dor apertada no peito.
A experiência Erasmus foi uma experiência formidável, não me canso de o dizer, porque o foi. Muito acima da normalidade, levando a que nos sentíssemos como irmãos em pouco tempo.
Uma experiência muito intensa de amizade e conhecimento mútuos condenada à partida com a data de saída de Maastricht. O que faz ter mais pena e se torna para mim mais difícil de aceitar é o facto de nunca mais poder viver com as pessoas com quem vivi este tempo da forma que o vivi enquanto em Erasmus, envoltos numa névoa desinibidora. Poderemos ser grandes amigos, mas nunca o que ali fomos…
Porém, aprendi muito com todos vocês e a todos adoro como grandes amigos, inesquecíveis.
Apoderou-se de mim uma grande tristeza desesperadamente nostálgica. O facto de olhar e passar nos sítios que outrora eram local comum para uma imensa animação e são agora locais desertos, despojados de quem lhes dava essa animação, alegria e cor, causa-me uma dor apertada no peito.
A experiência Erasmus foi uma experiência formidável, não me canso de o dizer, porque o foi. Muito acima da normalidade, levando a que nos sentíssemos como irmãos em pouco tempo.
Uma experiência muito intensa de amizade e conhecimento mútuos condenada à partida com a data de saída de Maastricht. O que faz ter mais pena e se torna para mim mais difícil de aceitar é o facto de nunca mais poder viver com as pessoas com quem vivi este tempo da forma que o vivi enquanto em Erasmus, envoltos numa névoa desinibidora. Poderemos ser grandes amigos, mas nunca o que ali fomos…
Porém, aprendi muito com todos vocês e a todos adoro como grandes amigos, inesquecíveis.
sábado, janeiro 17, 2004
Amesterdão e arredores
Na semana passada, toda ela, estive pelos lados de Amesterdão, ficando em Diemen, em casa do Zé. A viagem foi combinada um tanto ou quanto à pressa enquanto eu e o Nuno, únicos portugueses que voltaram para o Erasmus em Maastricht, enquanto íamos de comboio de Bruxelas para a GuestHouse! Nem uma hora ficámos em Maastricht!
Antes ainda jantámos no seio lusófono de Leuven e por lá ficámos saindo apenas sábado para Amesterdão. Foi um castigo primeiro que nos pudéssemos deitar, visto que eles estavam todos eléctricos, quanto eu me tinha levantado às cinco da manhã para apanhar o avião em Lisboa.
Em Amesterdão passeámos pela maior parte das ruas. Vimos diversos museus, alguns deles intermináveis, como o Amesterdam Historish Museum. Quando os museus fechavam e o sol se punha os valores de Amesterdão pareciam inverter-se e as luzes do Red District acendiam-se, provocadoras. Aí parecia que o mundo estava às avessas: permitindo-se o que moralmente se condena.
Um desses dias fomos a uma zona típica com moinhos, para não dizermos que saíamos da Holanda sem os ver. Foi em Zandam a cerca de 15 Km para Norte de Amesterdão que os vimos numa espécie de quinta do moinho holandês, visto que aquele espaço vivia apenas daquilo. Engraçada achei a forma original como eles utilizavam os moinhos. Ora parte tirar água de terrenos mais baixos para outros mais altos, divididos por um dique, através de uma rosca de Arquimedes, ora como serração, em que o próprio moinho puxava os troncos e dava impulso às serras, ora como fábricas de papel, ora para partir pedras ou objectos grandes, ora, porque não, para fazer farinha…
Para além dessa original utilização de um recurso aparentemente simples, fascinou-me a maneira como os holandeses conseguiram tornar terras pantanosas e constantemente inundadas em zonas habitáveis e até na própria capital da Holanda, assentando todas as construções em estacas que penetravam no solo bastantes metros até acharem solo mais firme e criando um amplo sistema de canais e diques que controlava a água. Impressionante a dimensão que atingiu!
Fomos a Haia, a capital política onde a maior parte das instituições importantes se encontram. Foi uma passagem rápida orientada por um mapa pouco explicativo acompanhado de uma revista muito pouco elucidativa pela módica quantia de 2€. Passámos pela zona antiga, pela residência da rainha da Holanda e pelo Tribunal Internacional de Justiça, num edifício a que chamam Palácio da Paz.
Daí seguimos para Delft, muito ligada à história áurea da família real dos Orange. Inclusive William de Orange estava faustosamente sepultado num mausoléu na igreja nova de Delft (é nova, mas já é do século XV!). Interessantes eram as inúmeras pontes que se estendiam pelos estreitos canais espalhados por toda a cidade bastante antiga. Valeu a pena a deslocação ali, seguindo o conselho do Miguel que já lá tinha estado.
Na semana passada, toda ela, estive pelos lados de Amesterdão, ficando em Diemen, em casa do Zé. A viagem foi combinada um tanto ou quanto à pressa enquanto eu e o Nuno, únicos portugueses que voltaram para o Erasmus em Maastricht, enquanto íamos de comboio de Bruxelas para a GuestHouse! Nem uma hora ficámos em Maastricht!
Antes ainda jantámos no seio lusófono de Leuven e por lá ficámos saindo apenas sábado para Amesterdão. Foi um castigo primeiro que nos pudéssemos deitar, visto que eles estavam todos eléctricos, quanto eu me tinha levantado às cinco da manhã para apanhar o avião em Lisboa.
Em Amesterdão passeámos pela maior parte das ruas. Vimos diversos museus, alguns deles intermináveis, como o Amesterdam Historish Museum. Quando os museus fechavam e o sol se punha os valores de Amesterdão pareciam inverter-se e as luzes do Red District acendiam-se, provocadoras. Aí parecia que o mundo estava às avessas: permitindo-se o que moralmente se condena.
Um desses dias fomos a uma zona típica com moinhos, para não dizermos que saíamos da Holanda sem os ver. Foi em Zandam a cerca de 15 Km para Norte de Amesterdão que os vimos numa espécie de quinta do moinho holandês, visto que aquele espaço vivia apenas daquilo. Engraçada achei a forma original como eles utilizavam os moinhos. Ora parte tirar água de terrenos mais baixos para outros mais altos, divididos por um dique, através de uma rosca de Arquimedes, ora como serração, em que o próprio moinho puxava os troncos e dava impulso às serras, ora como fábricas de papel, ora para partir pedras ou objectos grandes, ora, porque não, para fazer farinha…
Para além dessa original utilização de um recurso aparentemente simples, fascinou-me a maneira como os holandeses conseguiram tornar terras pantanosas e constantemente inundadas em zonas habitáveis e até na própria capital da Holanda, assentando todas as construções em estacas que penetravam no solo bastantes metros até acharem solo mais firme e criando um amplo sistema de canais e diques que controlava a água. Impressionante a dimensão que atingiu!
Fomos a Haia, a capital política onde a maior parte das instituições importantes se encontram. Foi uma passagem rápida orientada por um mapa pouco explicativo acompanhado de uma revista muito pouco elucidativa pela módica quantia de 2€. Passámos pela zona antiga, pela residência da rainha da Holanda e pelo Tribunal Internacional de Justiça, num edifício a que chamam Palácio da Paz.
Daí seguimos para Delft, muito ligada à história áurea da família real dos Orange. Inclusive William de Orange estava faustosamente sepultado num mausoléu na igreja nova de Delft (é nova, mas já é do século XV!). Interessantes eram as inúmeras pontes que se estendiam pelos estreitos canais espalhados por toda a cidade bastante antiga. Valeu a pena a deslocação ali, seguindo o conselho do Miguel que já lá tinha estado.
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