sexta-feira, agosto 27, 2004

Midgard



Colónia da Cáritas no Pedrógão, Leiria. Dezasseis monitores tomam conta de cerca de 80 crianças, para lhes proporcionarem umas férias de verão inesquecíveis.

Eu fui monitor rotativo, isto é, não tinha um grupo fixo, mas ia saltando de grupo em grupo nos dias em que não estava de serviço. Assim dava para conhecer muitas crianças, porém não tinha uma relação tão intensa como teria se fosse monitor de grupo.

O grupo de monitores foi extraordinário. Sempre muito animado e cada vez mais unido, sendo quase todos (11) caloiros. Conhecemo-nos no dia 17 e depois dos primeiros momentos em que ainda não se fixavam todos os nomes, parecia que já éramos amigos antes de ali chegarmos.

O tema deste turno foi baseado nos vikings, existindo um conflito entre o Odin (bem) e o Ragnarof (mal), que estimulava os miúdos a rejeitarem o mal, leia-se Ragnarof. Assim as várias divisões da casa tinham nomes vikings, sendo a colónia a Midgard, as crianças tralls e os monitores lokis, por exemplo.

Muita praia, muito sol, passeios para trás e para a frente, andar no mato à procura do amuleto e passar toda a tarde no Corre Água, conhecer Pedrógão através de um peddy-paper, fazer diversos campeonatos, construções na areia, um raid fotográfico, muitas diversões.

À noite, o serão era animado pelos monitores de serviço que naquele dia tentavam surpreender. Muitos são os bons momentos para agora recordar como o Tomané, os Cornos com Açúcar, os CornOscares, a noite das praxes, a noite de cinema, a última noite cheia de jogos e acabar a ver com a lágrima no canto do olho as fotos dos dias que tinham passado a correr.

Sim, é verdade, acabou. As crianças foram para a vida que tinham antes, que em muitos casos não era muito agradável. Foi com pena que vimos estas crianças saírem deste mundo de fantasia para irem de novo para a sua vida de todos os dias. E chorava-se de saudade já.

segunda-feira, agosto 16, 2004

T3

Hoje vou para a Colónia da Férias da Cáritas no Pedrogão, mas como monitor. Estou ansioso, principalmente por ter entrado à última da hora e não saber bem como irá ser. Avizinham-se noites longas a preparar o dia seguinte, andar sempre de olho nos miúdos, aproveitar a hora da sesta para dormir, já que os miúdos não o fazem!

Os monitores costumam ter uma espécie de boas-vindas para estreantes tipo jarros de água pela cabeça abaixo. O monitor-mor, o lobo-do-mar, P.A., é o grande impulsionador de toda esta dinâmica em torno da colónia. Bem, a ver vamos. Espero é divertir-me bastante, ajudando estas crianças a terem umas férias inesquecíveis!

domingo, agosto 15, 2004

Berlenga


Sábado lá consegui arranjar rapaziada que enchesse o Clio do Justino para ir visitar a ilha Berlenga. Isto porque estava malta da minha faculdade acampada em Peniche que queriam ir até lá. Acabaram por abandonar a ideia quase todos ao saberem que a viajem de barco custava 17 euros. Que pena!

A viajem de uma hora e pouco foi calma e divertida ao mesmo tempo, com as ondas de vez em quando a ameaçarem molharem-nos ligeiramente quando o barco parecia ir embicar na vaga.

Como a ilha é pequena percorrem-se num instante os caminhos que tem. Para um lado o forte de S. João Baptista acabando perto da cova do sono e da cabeça de elefante, uma rocha mesmo sugestiva. Para o outro, já depois de passar o farol, o caminho circular em direcção às buzinas que acabei por não perceber o que seriam, pelo aparente abandono.

A beleza agreste desta ilha árida repleta de gaivotas e em algumas alturas bastante vegetação era acrescentada por ilhéus próximos da ilha da Berlenga, daí se dizer vulgar e incorrectamente Berlengas.

O fim da tarde, antes da chegada do barco, foi passada na praia, à escala da ilha: minúscula. Foi, no entanto, bastante refrescante dar aqueles mergulhos no meio de tão agradáveis vistas. Algo paradisíaco.

No regresso o comandante calmamente sentado no sofá virado para a televisão com uma chávena na mão deixava tranquilamente o barco vogar pelo mar calmo daquele dia. Fui meter conversa com ele: — Ó senhor comandante, finja que está a conduzir o barco só para eu lhe tirar uma foto. Depois disse para eu ir ver o interior do barco pequeno, mas bastante interessante. A cozinha, os vários quartos, as duas casas-de-banho, a sala-de-estar. Depois explicou-me os vários instrumentos que o auxiliavam e levou o barco até perto das rochas do Cabo Carvoeiro, permitindo-nos vê-las de perto, proporcionando-nos o que poucos fariam. Muito simpático o senhor!

Nem sabem o que perderam!

quarta-feira, agosto 11, 2004

Itália

Dois dias e meio foi o tempo necessário para o autocarro acartar a Filarmónica das Cortes até a Polverigi, Ancona, (e o regresso, claro) para participar com a banda de lá num intercâmbio musical.

Tivemos oportunidade de ver mais que alcatrão nas viagens: fomos a Nice, Mónaco, Nimes, San Marino, Roma, Barcelona. Visitámos alguns museus, como o da Ferrari ou uma medieval fábrica de papel, e até percorremos umas grutas.


No entanto tudo se passou basicamente na aldeia de nome Polverigi, com as caras de alguns músicos da sua banda que nos acompanhavam, a “cavalariça” onde dormimos pela confusão em que deixámos aquilo, e as conhecidas refeições que começavam sempre, mas sempre pelo mesmo: pasta!

O serviço consistiu em alguns concertos e uma pequena procissão, nada de mais. Num dos locais a festa até tinha sido cancelada devido à chuva. No entanto, quando lá chegámos o tempo tinha-se controlado e com um acordeão, guitarra, vozes e muitos a dançar, fizemos nós a festa onde eles a tinham cancelado. E os italianos olhavam-nos absortos, mas aos poucos absorvidos pela nossa vivacidade, pela nossa boa disposição, por fazermos tanta festa com tão pouco. E foi muito animado... foi sempre.


E então quando chegava a lutas dentro da camarata!... Eram rastos de champô, pasta de dentes, açúcar, cerveja, espuma de barbear por todo o lado, até no tecto! Nesse mesmo tecto os miúdos tinham prendido uns alvos com fita-cola e andavam aos tiros dentro da camarata com as armas que tinham comprado numa feira. Com tudo isto, viam-se montes de bolas de plástico no chão, ao lado de cuecas e meias e de escovas de dentes!


Apesar das cansativas viagens valeu bem a pena este intercâmbio por ter reforçado a camaradagem entre os membros da banda. Ficam sempre muitos momentos na memória para recordar mais tarde com saudade...