segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Medula

O dia de BP de 2005 realizou-se em Santa Catarina da Serra. O medo da chuva torrencial quase fez adiar a actividade. Para além de nem sequer ter pingado do céu, este permaneceu limpo ao longo do dia. E as actividades puderam desenvolver-se, depois da tradicional missa com o Bispo a perguntar por todas as secções, "em família com BP", calhando-me ir para o Vale das Namoradas.

A par com toda a animação deste dia em que se encontram escuteiros oriundos de toda a região de Leiria, havia uma angariação de dadores de medula óssea. Bastava para isso:
- ser saudável e ter entre 18 e 45 anos
- preencher uma ficha com os seu dados
- cerca de 20 mg de sangue para análises.

Muitas foram as pessoas que compareceram. Esta recolha ocorreu por iniciativa de uma jovem cuja amiga precisava de uma transplante de medula para superar a sua doença. Depois de anos à espera de um dador compatível, acabou por falecer. Curiosamente, nesse mesmo dia tinha sido descoberto um dador espanhol compatível. Tarde de mais! Pode ser que com este gesto possamos salvar algumas vidas.

sábado, fevereiro 19, 2005

Lencinhos

Podia ser sobre os lencinhos brancos erguidos agitadamente em Fátima, agora que os três pastorinhos estão de novo juntos, durante a procissão com a Nossa Senhora de Fátima. Mas não, estes lenços são outros, coloridos e com um significado especial.

De bocados de trapo, com pachorra, lá se cortam triângulos isósceles, pintam-se as duas margens iguais de branco e enrola-se como um lenço de escuta normal, porém em miniatura. São das quatro cores que dividem os escuteiros do CNE: amarelo, verde, azul e vermelho, todos com um debruado branco.

Para os fazer juntaram-se os elementos dos clãs da Sé e Madre Teresa de Calcutá numa noitada no Alqueidão da Serra, uma coisa combinada com a devida antecedência, isto é, à bruta! Até havia licor de chocolate para adocicar a boca dos que se estivessem a deixar levar pelo sono...

Depois é só montar a "barraca" no dia de B.P. e apregoar o lencinho, como se de uma feira se tratasse. Os trocos que se arranjarem servirão para pagar a nova guitarra da Carina, que até já ficou trancada na Sé. Mau agoiro? Só se os lencinhos não se venderem como esperamos.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Politiquices

ANTES DA POSSE

Nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais

para alcançar nossos ideais.

Mostraremos que é grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo de nossa acção.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

os recursos económicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.


APÓS A POSSE:

LEIAM as linhas inteiras DE BAIXO PARA CIMA.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Nó na língua

Numa discussão acesa ficou a dúvida acerca da palavra "estória" e a sua inserção na língua portuguesa como substituição de parte do significado da palavra "história". Soa a errado, mesmo que me digam que é assim que se diz ou escreve agora. Parece-me que o português está a ser cada vez menos de Portugal.

Na pesquisa por culpados encontrei o nome de um suspeito: um indivíduo brasileiro, de estatura média, escritor, conhecido pelo nome de Guimarães Rosa. Ele é o suspeito de ter introduzido este neologismo na língua portuguesa. Eis uma explicação pela Porto Editora:


neologismo (gramática)

Operação de formação de palavras que consiste na criação de um vocábulo novo recorrendo para isso aos processos de formação de palavras existentes e permitidos pelo sistema morfológico da língua. Os neologismos inscrevem-se nos processos de renovação e alargamento do léxico. Aos poucos estas palavras, inicialmente sentidas como recentes, acabam por
incorporar-se na língua, até se perder a consciência da sua novidade.

É na literatura que esta criação vocabular encontra um espaço privilegiado, como se pode verificar no seguinte excerto de Mia Couto, escritor moçambicano que reinventa a língua a cada momento, criando e adaptando do português de Moçambique neologismos muito sugestivos:

"Aurorava. O sol dava as cinco. As sombras, neblinubladas, iam espertando na ensonação geral. No topo das árvores, frutificavam os pássaros. (...) A claridade já muito espontava, como lagarta luzinhenta roendo o miolo da escuridão. As criaturas se vão recortando sob o fundo da inexistência. Neste tempo uterino, o mundo é interino. O céu se vai azulando, permeolhável. (...)"

Mia Couto, 1994, "O Poente da Bandeira", in Estórias Abensonhadas, Lisboa, Caminho: 71.

Outro exemplo é palavra estória, por oposição a história, um neologismo introduzido pelo escritor brasileiro Guimarães Rosa, num claro paralelismo com as palavras story e history no inglês. Assim, Estórias Abensonhadas são narrativas ficcionais, criadas pelo escritor, enquanto as histórias são narrativas que tiveram lugar num tempo-espaço reais, protagonizadas por pessoas de carne e osso.

Por enquanto prefiro continuar como dantes e escrever a crónica "Histórias da Minha Banda"... com h.


quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Conta-Quilómetros

Transportes públicos

Durante o assessment center para o programa "Competir no Futuro", que teve lugar no ISEG, surgiu a seguinte pergunta:

Diga quantos quilómetros são percorridos em média num dia de Inverno pelos operadores públicos de transportes de passageiros à escala nacional.

Este era basicamente o trabalho individual num dia cheio com a dinâmica de grupo em torno de um jogo de gestão. Valeu a animação entre as cerca de 200 pessoas que compareceram, bastantes da Faculdade de Economia da UNL.

Como particularidades um conjunto alargado de copos partidos na cantina do ISEG ao almoço ou a confissão (parecia um desabafo...) de um dos orientadores que pelos vistos assumia uma posição de indefinição sexual, comprovada por um esquisito contorcer das mãos (era da Católica!) ou ainda o bigode interessante do simpático senhor que proferiu a jubilosa questão acima transcrita.

Um dia diferente... valeu-me a sorte ao arranjar logo estacionamento sem parquímetro, mesmo perto daquela instituição que vive ainda da recordação de Bento de Jesus Caraça.