Já não ia ao mercado em Leiria à alguns anos, mas gostei de ir lá hoje com a minha mãe e a minha tia. O ambiente em que os feirantes lutam por clientela apregoando: 5 euros, 5 euros!, chega a ser engraçado.
Aqui encontra-se de tudo um pouco, sempre às terças-feiras e sábados, desde roupa a calçado, passando por mobiliário e plantas, hortaliças ou árvores de fruto, até DVD's em que as caixas estavam abertas e todos eram iguais e diziam "Princo", ou seja, pirateados que nem um brinco!
De manhã bastante cedo já estes feirantes começam a montar o seu posto de venda: uma carrinha grande de caixa fechada, um pano de tenda suportado por varas de madeira e as mesas onde fica a mercadoria. E hoje de manhã estava mesmo muito frio...
As pessoas vão vagueando, vendo, palpando, perguntando os preços cajo não os estejam a gritar naquele momento. Eventualmente lá se faz negócio, algo que chame a atenção e o preço não assuste. Por vezes pensamos que já estamos a comprar barato e mais à frente vemos o mesmo ainda por menos dinheiro.
Acabei por comprar umas roupitas. Bem boas e em conta. Tenho de ir lá mais vezes.
sábado, janeiro 28, 2006
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Desenhador
Por vezes as pessoas com quem lidamos no dia-a-dia comunicam-nos mais do que as mensagens que nos querem transmitir: são antênticos anjos mensajeiros sem se darem conta.
O desenhador David Simões, com quem conversei bastante ontem, teve um início de vida profissional bastante difícil. Trabalhou na Câmara Municipal de Leiria como assistente do arquitecto camarário. Era bastante explorado. Trabalhava muito, apesar de o ordenado mal dar para a gasolina, e nem por isso lhe era dado o devido valor.
Decidiu despedir-se e empregar-se na Intertelha, mas cedo percebeu que uns trabalhavam e outros bajulavam o patrão, o Sr. Meneses. Comunicou-lhe a situação com franqueza e como resposta ouviu que vivemos num mundo selva. Decidiu sair, apesar de não ter nenhum trabalho para onde ir.
Passado pouco tempo começou a vender fraldas, algo que nada tinha a ver com a sua profissão, mas assim esteve durante uns meses. Isto até perceber que não conseguia, a par do emprego, fazer uns pequenos projectos. Decide, então, concentrar-se apenas nos projectos de arquitectura, mas não tinha ainda uma carteira de clientes significativa.
Nos primeiros tempos foi complicado, com a esposa já grávida e ao fim do mês não conseguia mais do que 30 contos. Batia de porta em porta de gabinetes de desenho a perguntar se havia projectos para passar, algo que pudesse fazer para não estar parado e puder receber algum dinheiro.
Aos poucos, com honestidade, foi construindo uma reputação sólida de bom trabalho e bons preços, alargando a sua carteira de clientes. Agora já tem de recusar alguns pedidos, dado o volume de trabalho que vai tendo.
Contou-me que, também ele, está a entrar no mundo da construção. Vai estrear-se a construir uma moradia para venda, assumindo a condução da obra e escolhendo a quem delegar cada tarefa.
Partindo da experiência própria, foi uma ajuda a clarificar umas ideias, uma fonte de sugestões interessantes e um estímulo a seguir em frente.
O desenhador David Simões, com quem conversei bastante ontem, teve um início de vida profissional bastante difícil. Trabalhou na Câmara Municipal de Leiria como assistente do arquitecto camarário. Era bastante explorado. Trabalhava muito, apesar de o ordenado mal dar para a gasolina, e nem por isso lhe era dado o devido valor.
Decidiu despedir-se e empregar-se na Intertelha, mas cedo percebeu que uns trabalhavam e outros bajulavam o patrão, o Sr. Meneses. Comunicou-lhe a situação com franqueza e como resposta ouviu que vivemos num mundo selva. Decidiu sair, apesar de não ter nenhum trabalho para onde ir.
Passado pouco tempo começou a vender fraldas, algo que nada tinha a ver com a sua profissão, mas assim esteve durante uns meses. Isto até perceber que não conseguia, a par do emprego, fazer uns pequenos projectos. Decide, então, concentrar-se apenas nos projectos de arquitectura, mas não tinha ainda uma carteira de clientes significativa.
Nos primeiros tempos foi complicado, com a esposa já grávida e ao fim do mês não conseguia mais do que 30 contos. Batia de porta em porta de gabinetes de desenho a perguntar se havia projectos para passar, algo que pudesse fazer para não estar parado e puder receber algum dinheiro.
Aos poucos, com honestidade, foi construindo uma reputação sólida de bom trabalho e bons preços, alargando a sua carteira de clientes. Agora já tem de recusar alguns pedidos, dado o volume de trabalho que vai tendo.
Contou-me que, também ele, está a entrar no mundo da construção. Vai estrear-se a construir uma moradia para venda, assumindo a condução da obra e escolhendo a quem delegar cada tarefa.
Partindo da experiência própria, foi uma ajuda a clarificar umas ideias, uma fonte de sugestões interessantes e um estímulo a seguir em frente.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Agrícola
Segundo o verdadeiro almanaque, o Borda d' Água, a melhor altura para podar as árvores de fruto é em Janeiro pelo minguante, ou seja, esta semana. Seguindo esse conselho lá fui cortando, braça aqui, ramo acolá, experimentando a técnica da poda.
O objectivo é a árvore ficar mais redonda, com a copa não muito alta, para se poderem apanhar os frutos com um pequeno escadote, e com ramificações simples, de modo a que os ramos que fiquem possam ganhar mais força. Ao que parece, quem "inventou" esta técnica foi um burro, que ficava sempre preso a uma árvore e ia desbastando os seus ramos. Com o passar do tempo, o dono do animal foi-se apercebendo que a árvore onde o burro ficava preso dava mais e melhores frutos.
Munido com um escadote, uma tesoura da poda e um serrote para os ramos mais grossos fui de árvore em árvore: de pessegueiros a cerejeiras, passando por pereiras e macieiras, e até uma ameixeeira velha. Cada tipo de árvore com uma poda própria, assim me vão dizendo. Os pessegueiros, por exemplo, não precisam de grandes cortes, deixam-se os ramos novos evitando-se que a árvore fique muito alta.
Vamos lá a ver se a árvore vai dar bom fruto ou se vai secar.
O objectivo é a árvore ficar mais redonda, com a copa não muito alta, para se poderem apanhar os frutos com um pequeno escadote, e com ramificações simples, de modo a que os ramos que fiquem possam ganhar mais força. Ao que parece, quem "inventou" esta técnica foi um burro, que ficava sempre preso a uma árvore e ia desbastando os seus ramos. Com o passar do tempo, o dono do animal foi-se apercebendo que a árvore onde o burro ficava preso dava mais e melhores frutos.
Munido com um escadote, uma tesoura da poda e um serrote para os ramos mais grossos fui de árvore em árvore: de pessegueiros a cerejeiras, passando por pereiras e macieiras, e até uma ameixeeira velha. Cada tipo de árvore com uma poda própria, assim me vão dizendo. Os pessegueiros, por exemplo, não precisam de grandes cortes, deixam-se os ramos novos evitando-se que a árvore fique muito alta.
Vamos lá a ver se a árvore vai dar bom fruto ou se vai secar.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Burocracia e papelada
Quando se vai tratar de qualquer assunto que envolva papelada, principalmente se o local onde tivermos de ir estiver sob a tutela do Estado, devemos precavermo-nos com um método de passar o tempo.
Isto porque o desfasamento temporal entre o número da nossa senha e o número da pessoa que está a ser atendida faz-nos, depois de confirmarmos que estamos a olhar para a placa certa, desesperar e expirar pela boca e repetir várias vezes de modo audível: "Isto só neste país", ou algo similar.
O problema das senhas é que dá sempre tempo para fazer imensas coisas entre o momento de tirar a senha e sermos atendidos. Porém, numa fé cega, mantemo-nos sempre por ali sentados ou de pé, se já estiverem os lugares todos ocupados, meia hora, uma hora, duas horas... e acabamos por não fazer nada nesse tempo, porque pensamos que os números podem andar mais depressa por haver pessoas, porventura mais fracas, que desistiram de esperar e se foram embora.
Eu assim que tirei a senha para a Conservatória do Registo Predial das Caldas da Rainha e vi que faltam 30 números para a minha vez, saí logo para o sol, para fazer uns telefonemas, estudar o projecto e os documentos que tinha em mãos e ler um livro. Voltava lá de meia em meia hora e só ao fim de duas horas é que fui finalmente atendido.
A meu ver, o problema é que, infelizmente, eu não estou a falar de uma excepção.
Isto porque o desfasamento temporal entre o número da nossa senha e o número da pessoa que está a ser atendida faz-nos, depois de confirmarmos que estamos a olhar para a placa certa, desesperar e expirar pela boca e repetir várias vezes de modo audível: "Isto só neste país", ou algo similar.
O problema das senhas é que dá sempre tempo para fazer imensas coisas entre o momento de tirar a senha e sermos atendidos. Porém, numa fé cega, mantemo-nos sempre por ali sentados ou de pé, se já estiverem os lugares todos ocupados, meia hora, uma hora, duas horas... e acabamos por não fazer nada nesse tempo, porque pensamos que os números podem andar mais depressa por haver pessoas, porventura mais fracas, que desistiram de esperar e se foram embora.
Eu assim que tirei a senha para a Conservatória do Registo Predial das Caldas da Rainha e vi que faltam 30 números para a minha vez, saí logo para o sol, para fazer uns telefonemas, estudar o projecto e os documentos que tinha em mãos e ler um livro. Voltava lá de meia em meia hora e só ao fim de duas horas é que fui finalmente atendido.
A meu ver, o problema é que, infelizmente, eu não estou a falar de uma excepção.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Mudanças
Mudar implica romper com a normalidade. Isso tanto pode acontecer de forma premeditada, como pode ser imposto pelas circunstâncias da vida, sobre as quais poder algum temos.
A minha vida mudou com o fim da do meu pai. De repente, sem sinais nem aviso, a ver televisão no sofá, ficou tal como estava, imóvel. E a minha mãe sozinha em casa.
Eu estava a trabalhar em Lisboa na TempoOMD, uma agência de meios de publicidade, com a conta da Vodafone. O meu irmão, também em Lisboa, está no 4º ano de Medicina. Optei por deixar terminar o contrato com a OMD e não o renovar, de modo a poder ir para Leiria, por um lado para fazer companhia à minha mãe, por outro para tentar dar continuidade a projectos que estão em curso.
Esta é a primeira semana por Leiria. O desafio agora é grande e auto-disciplinador. Terei de aprender por mim mesmo a tratar de assuntos que até agora ignorava e contactar com muitas pessoas que desconhecia. Repartições de finanças, câmaras municipais, conservatórias e cartórios notariais, bancos, advogado e desenhador, solicitadores, imobiliárias e conversas com velhotes que sabem (e dão) informações importantes, vão passar a fazer parte da minha agenda diária. Ou melhor, já fazem.
Agora estou como que à procura das pontas soltas de um novelo de lã. Depois de as encontrar penso que será mais fácil encarrilhar. Espero que isso aconteça com alguma brevidade.
A minha vida mudou com o fim da do meu pai. De repente, sem sinais nem aviso, a ver televisão no sofá, ficou tal como estava, imóvel. E a minha mãe sozinha em casa.
Eu estava a trabalhar em Lisboa na TempoOMD, uma agência de meios de publicidade, com a conta da Vodafone. O meu irmão, também em Lisboa, está no 4º ano de Medicina. Optei por deixar terminar o contrato com a OMD e não o renovar, de modo a poder ir para Leiria, por um lado para fazer companhia à minha mãe, por outro para tentar dar continuidade a projectos que estão em curso.
Esta é a primeira semana por Leiria. O desafio agora é grande e auto-disciplinador. Terei de aprender por mim mesmo a tratar de assuntos que até agora ignorava e contactar com muitas pessoas que desconhecia. Repartições de finanças, câmaras municipais, conservatórias e cartórios notariais, bancos, advogado e desenhador, solicitadores, imobiliárias e conversas com velhotes que sabem (e dão) informações importantes, vão passar a fazer parte da minha agenda diária. Ou melhor, já fazem.
Agora estou como que à procura das pontas soltas de um novelo de lã. Depois de as encontrar penso que será mais fácil encarrilhar. Espero que isso aconteça com alguma brevidade.
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